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8 pedidos de socorro sem atendimento: Ratinho atribui falha à falta de estrutura da PM

Vizinhos ligaram oito vezes à polícia denunciando marido que espancava a mulher, mas a PM só chegou após assassinato

  • Giulia Fontes
Governador comentou o caso nesta sexta-feira (15). | Jaelson Lucas/ANPr
Governador comentou o caso nesta sexta-feira (15). Jaelson Lucas/ANPr
 
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O governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) foi questionado pela imprensa nesta sexta-feira (15) sobre a falta de atendimento da Polícia Militar no caso da morte de Daniela Eduarda Alves. Ela foi assassinada pelo marido, Emerson Bezerra, após oito ligações de vizinhos denunciado o caso à PM. Os áudios revelando os pedidos de socorro foram divulgados na quinta-feira (14) pela RPC . “É uma falha grave, não tem desculpa para isso”, disse o governador.

Segundo Ratinho Junior, a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) abriu uma sindicância para averiguar se houve alguma falha no atendimento ou se a viatura da polícia disponível para a região estava atendendo outra ocorrência. Em nota, a PM já havia afirmado que a viatura estava averiguando outras ocorrências naquele momento.

Segundo o responsável pela pasta da Segurança, general Luiz Felipe Carbonell , não há prazo para que as investigações sejam concluídas.Ele afirmou que é preciso “estudar com muito cuidado o que aconteceu”.

“Precisamos entender por que houve esse lapso de tempo. Há um protocolo rígido a ser cumprido. Realmente ocorreram os chamados, que foram atendidos por dois operadores diferentes, mas todas as viaturas estavam empenhadas. É uma infelicidade, óbvio, não podemos desculpar a perda de uma vida”, disse o general.

Falta de estrutura

Ainda comentando o caso, Ratinho atribuiu a falha à “falta de estrutura” da PM do Paraná. “Assumimos o governo com 40% da frota de viaturas na oficina. Precisamos melhorar para que a polícia possa atender o máximo de ocorrências da maneira mais rápida possível”, disse. A ex-governadora Cida Borghetti (PP) respondeu via assessoria de imprensa que 1,200 viaturas foram entregues nos últimos anos e afirmou que “estabeleceu prioridade de atendimento à violência contra a mulher por meio das Patrulhas Maria da Penha”. Leia a nota na íntegra.

Para amenizar o problema, de acordo com o governador, está sendo realizado um estudo para que o número de viaturas da PM seja ampliado. Uma das alternativas levantadas por Ratinho é alugar novos veículos. “Se você tem parte da frota alugada, é possível ter outro carro à disposição em cinco, dez horas, no máximo”, defendeu. Ele também prometeu a instalação de GPS nos veículos utilizados pelos policiais.

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Sem previsão de concurso

O governador não mencionou, no entanto, a possibilidade de contratar novos profissionais para aumentar o efetivo. Em janeiro, durante a troca de comando da corporação, Ratinho admitiu que o número de policiais do Paraná é insuficiente para atender às demandas do estado, mas afirmou que não previa, no curto prazo, a realização de concurso público para a ampliação do contingente.

“Esse é um desafio que nós temos, até porque o estado tem um limite de contratação de pessoal [em decorrência da Lei de Responsabilidade Fiscal]. Enquanto nós não conseguirmos fazer toda essa equação financeira, não temos condição [de contratar novos policiais]”, afirmou Ratinho, à época.

O secretário de segurança, por sua vez, afirmou nesta sexta-feira (15) que o governo “depende da Assembleia Legislativa do Paraná” para ter mais verbas à disposição da Sesp e aumentar o efetivo de policiais.

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Entenda o caso

Daniela Eduarda Alves foi morta a facadas pelo marido, Emerson Bezerra, na madrugada do dia 14 de janeiro. O crime aconteceu em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. Áudios divulgados pela RPC mostram que vizinhos acionaram a PM, por telefone, a respeito de uma briga de casal. Foram oito ligações.

“Eu acabei de ligar pedindo uma viatura aqui pra nossa rua, que tem um homem, um vizinho que tá batendo muito na mulher. Eu acho que até já matou”, diz um dos denunciantes.

A briga começou às 23h. Perto da 1h, a primeira denúncia foi feita à PM. Os policiais só chegaram ao local às 2h20, depois que o padrasto de Emerson ligou novamente à polícia para dizer que o enteado havia matado a mulher. O crime ocorreu à 1h40.

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Cida Borghetti

A ex-governadora Cida Borghetti (PP) lamentou o crime e se posicionou por meio de nota oficial. Leia na íntegra:

É lamentável e inadmissível o ocorrido no episódio de Fazenda Rio Grande. Nos últimos anos foram entregues mais de 1.200 veículos novos para as forças de segurança do Paraná. A gestão Cida Borghetti estabeleceu prioridade de atendimento à violência contra a mulher por meio das Patrulhas Maria da Penha. Carros que atendiam os secretários de Estado foram destinados para a Patrulha e foi sancionada a Lei 107/2018 que instituiu no Estado as Patrulhas Maria da Penha, no âmbito da Polícia Militar.

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