122011

Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Política
  3. Paraná
  4. Elite do funcionalismo ganha cinco vezes mais do que professores no Paraná

QUEM CUSTA MAIS

Elite do funcionalismo ganha cinco vezes mais do que professores no Paraná

Auditores fiscais, advogados e procuradores custaram individualmente em média, no mês de novembro, cinco vezes mais do que professores do magistério

  • José Lázaro Jr., do Livre.jor, especial para a Gazeta do Povo
Em média, governo do Paraná gastou em novembro cerca de R$ 30 mil per capita com auditores fiscais, advogados e procuradores. | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Em média, governo do Paraná gastou em novembro cerca de R$ 30 mil per capita com auditores fiscais, advogados e procuradores. Albari Rosa/Gazeta do Povo
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Eles são menos de 1% do total de funcionários públicos do Paraná, mas em novembro custaram R$ 30,6 milhões aos cofres do Estado. Segundo o Portal da Transparência do governo, auditores fiscais (714), advogados (49) e procuradores (270) são os profissionais que mais oneraram individualmente, em média, a folha de pagamento do mês passado.

Cada membro dessa “elite do funcionalismo”, quando tomados em conjunto e divididos pela folha, significou uma despesa média de R$ 29,6 mil. O valor é cinco vezes maior do que o de um professor da rede pública, pois quando dividimos os 61,5 mil profissionais do quadro próprio do magistério pelos R$ 324,5 milhões que eles custaram no mês passado, a média cai para R$ 5,2 mil.

TABELA COMPLETA: Veja a remuneração por órgão e quadro de funcionários

No meio dessas duas realidades estão carreiras cujo custo individual médio, em novembro, oscilaram em torno dos R$ 10 mil (professores universitários, R$ 11,4 mil; funcionários da administração indireta, R$ 11,3 mil; servidores do Iapar, R$ 10,9 mil; e peritos oficiais, R$ 9,8 mil) e dos R$ 7 mil (policiais civis, R$ 8,7 mil; quadro do Executivo, R$ 8,1 mil; funcionários da Saúde, R$ 6,8 mil; e da Adapar R$ 6,7 mil).

É impreciso dizer que esses números correspondam à remuneração média desses servidores, pois os dados analisados no Portal da Transparência, por carreira de Estado, não discriminam, por exemplo, diferenças de tempo de serviço e de função. Para isso, seria necessária a mediana dos 176 mil servidores pagos pelo governo.

SAIBA MAIS: Ratinho apresenta resultado de estudo e número de secretarias cai para 15

Mas, ainda que genericamente, a análise do custo médio individualizado, dividindo o total de pessoas na folha pelo valor desembolsado, ajuda a vislumbrar comparativamente a situação do funcionalismo no Paraná. Por exemplo, na faixa do custo médio de R$ 5 mil estão não só os profissionais do magistério, mas também os policiais militares (R$ 5,89 mil), os comissionados (R$ 5,8 mil) e os funcionários da Emater (R$ 5,3 mil).

A elite do funcionalismo, portanto, não representa individualmente só um gasto médio cinco vezes maior do que os professores. Também é cinco vezes mais cara, nesses termos, do que policiais, comissionados e extensionistas rurais, cujo trabalho faz com que se desloquem pelas áreas agricultáveis do interior do Paraná. E seis vezes mais do que os professores da educação básica.

LEIA TAMBÉM: Próximas de mineração, 194 áreas correm risco de conflito socioambiental no Paraná

Quadro “maduro”

Na análise dos gastos do governo do Paraná em 2017, o conselheiro Fernando Guimarães, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), fez algumas ponderações sobre a situação do funcionalismo público. “Dos servidores ativos, 57% encontravam-se entre 40 e 60 anos, o que demonstrou um quadro maduro, que requer providências referentes à realização de novos concursos e à renovação do corpo colaborativo”.

Neste cenário de envelhecimento da força de trabalho, sem reposição por concurso público, Guimarães alerta que, de 2012 a 2017, houve redução no número de servidores: de 188 mil para 183 mil. Como vimos, segundo o Portal da Transparência, eram ainda menos, 176 mil. No intervalo de cinco anos, o valor bruto anual da folha de pagamento subiu de R$ 7,5 bilhões para R$ 12,3 bilhões.

Segundo o conselheiro do TCE, há “necessidade urgente de reestruturação de seus quadros, com a distribuição otimizada de seus cargos, notadamente aqueles em comissão”. Guimarães sugere estudo para a transformação dos postos de trabalho vagos, em vez da simples ocupação dos já existentes, e “terceirização para os casos com permissivo legal, objetivando desonerar a folha de pagamento”.

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE