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suspeita de corrupção

Saiba quais as grandes empresas paranaenses citadas na Lava Jato

As empreiteiras J. Malucelli e CR Almeida – junto com a concessionária Econorte – figuram entre as empresas citadas na investigação da operação contra a corrupção que sacode o Brasil

  • Brasília
  • Catarina Scortecci, correspondente
  • Atualizado em às
A Superintendência da Polícia Federal em Curitiba: um dos “corações” da Operação Lava Jato | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
A Superintendência da Polícia Federal em Curitiba: um dos “corações” da Operação Lava Jato Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
 
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Entre as dezenas de empresas que se tornaram alvos da Operação Lava Jato, já apareceram três conhecidas marcas com matriz no Paraná. Veja quais são:

Operação Buona Fortuna

Ainda que citada lá atrás por delatores, a paranaense J. Malucelli só entrou de fato na mira da Lava Jato no último dia 9, na fase 49, batizada de Operação Buona Fortuna. O objetivo da série de mandados cumpridos naquele dia é apurar ilícitos na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A J. Malucelli Construtora de Obras é uma das pessoas jurídicas que integram o Consórcio Norte Energia, vencedor, em 2010, do leilão realizado pela União para definir quem levantaria a obra.

O Ministério Público Federal (MPF) do Paraná aponta que “há evidências” de que o governo federal atuou “de forma indevida” para garantir a vitória do Consórcio Norte Energia, formado às pressas, a partir da atuação do economista Antônio Delfim Netto, que teria se beneficiado com propina das empresas. O MPF também narra propinas para o PT e o PMDB.

“A construtora J.Malucelli, que possuía 2% de participação no Consórcio Construtor Belo Monte, ficou responsável pelo pagamento de 2% da vantagem indevida destinada a Antônio Delfim Netto, o que equivale a R$ 300.000,00”, sustenta o MPF. 

Nos dados bancários da LS Consultoria Empresarial Agropecuária, empresa de Luiz Appolonio Neto, que é sobrinho de Delfim Netto, foi localizado um pagamento efetuado em 9 de setembro de 2014 pela J. Malucelli, no valor de R$ 183.007,00.

O MPF ainda não ofereceu denúncia relativa à fase 49. Nas peças da investigação, a Procuradoria implicou dois funcionários da J. Malucelli nos supostos ilícitos, Theophilo Garcez Duarte Neto e Celso Jacomel Junior. Ambos representaram a empreiteira em reuniões do Consórcio Construtor Belo Monte, formado a partir do Consórcio Norte Energia.

Theophilo Garcez Duarte Neto figura como um dos diretores da J. Malucelli Energia, parte do grupo J. Malucelli. Em despacho em 6 de fevereiro, porém, o juiz Sergio Moro reputou “inexistente, ao menos por ora, causa provável que legitime a expedição de mandado de busca e apreensão” contra Duarte Neto. O magistrado também indeferiu o bloqueio de valores pertencentes ao executivo.

O fundador, Joel Malucelli, hoje presidente do Podemos no Paraná e também primeiro suplente do senador e presidenciável Alvaro Dias (PODE-PR), não é investigado.

O grupo reúne mais de 70 empresas. Logo após a deflagração da Operação Buona Fortuna, o grupo J. Malucelli se manifestou através de uma nota, na qual nega ter se unido a outras empresas para “qualquer ajuste ou composição ilícita” e lembra que “desembolsou e continua desembolsando expressivos recursos financeiros para a construção” da hidrelétrica. 

Operação Integração 

Embora seja hoje totalmente controlada pela Triunfo Participações e Investimentos S.A. (TPI), registrada em São Paulo, a empresa Concessionária de Rodovias do Norte S.A. (Econorte), alvo da fase 48 da Lava Jato, foi constituída no Paraná, com sede em Londrina, para administrar uma parte das rodovias do Anel de Integração, uma malha de quase 2,5 mil quilômetros distribuídos em seis lotes interligados. A Econorte ganhou o lote 1 (BR-369; BR-153; PR-323; PR-445; PR-090; PR-855; e PR-862) e assinou o contrato de concessão, com duração de 24 anos, em 14 de novembro de 1997.

Batizada pelo MPF do Paraná de Operação Integração, a fase foi deflagrada no último dia 22 e levou o presidente da Econorte, Hélio Ogama, para a prisão. Leonardo Guerra, que comandava uma subsidiária da Econorte, a Rio Tibagi Serviços de Operações e Apoio Rodoviário Ltda, com sede na cidade de Jataizinho, também foi preso. 

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A investigação ainda não foi concluída e, embora presos, os dois não foram até agora formalmente denunciados. De maneira geral, o MPF coloca suspeitas em torno de pagamentos feitos pela Econorte e pela Rio Tibagi a empresas que não teriam efetivamente prestado os serviços. Algumas das empresas estão ligadas a parentes de Hélio Ogama e de Leonardo Guerra.

O MPF também busca entender a relação estreita entre o comando da Econorte e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão do governo do Paraná responsável pelo contrato de concessão. 

Diretor-geral do DER até ser preso na Integração, Nelson Leal Júnior teria feito compras (inclusive de um imóvel de luxo em Balneário Camboriú, em Santa Catarina) incompatíveis com a renda declarada. O MPF quer saber se Nelson Leal Júnior se beneficiou financeiramente a partir dos aditivos que modificaram o contrato original de concessão, supostamente em detrimento do interesse público. As defesas dos três – Hélio Ogama, Leonardo Guerra e Nelson Leal Júnior – negam qualquer crime.

A concessão das estradas à Econorte termina em 26 de novembro de 2021.

Operação Recebedor e Operação Tabela Periódica

O nome do grupo paranaense CR Almeida acabou surgindo no ano de 2016 na Operação Tabela Periódica e na Operação Recebedor, ambas deflagradas pelo Ministério Público Federal (MPF) de Goiás, mas também derivadas da Lava Jato. O foco é a construção da Ferrovia Norte-Sul e da Ferrovia Oeste-Leste, obras da empresa pública Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., responsável pela contratação de empreiteiras. 

O MPF sustenta que o caráter competitivo dos certames acabou frustrado, em função de um cartel envolvendo dezenas de empresas, incluindo a CR Almeida. Além de indícios de cartel, a investigação também trata de sobrepreço, irregularidades em licitação, propina. 

As investigações começaram no âmbito do MPF de Goiás no ano de 2009, mas foi o acordo de leniência e o acordo de colaboração firmados posteriormente com a empresa Camargo Corrêa que embalaram a Tabela Periódica e a Recebedor.

Em fevereiro de 2016, houve mandado de busca e apreensão na CR Almeida, na esteira da Operação Recebedor. Em junho daquele mesmo ano, durante a Operação Tabela Periódica, três pessoas ligadas ao grupo foram alvos de mandados de condução coercitiva.

Os dois episódios já renderam três ações penais da Justiça Federal de Goiás. Entre os réus, está o ex-presidente da Valec José Francisco das Neves (Juquinha). Mas, até agora, o MPF não ofereceu denúncia contra nenhum integrante da CR Almeida. Na época, o grupo negou envolvimento com crimes apurados pelas autoridades de Goiás. 

Fundada no Paraná em 1958 por Cecilio do Rego Almeida (morto em 2008, aos 78 anos), a Engenharia e Construções CR Almeida Ltda foi a primeira empresa do grupo CR Almeida, hoje com atuação em todo país. Entre os herdeiros do Grupo CR Almeida está o ex-deputado federal pelo Paraná Marcelo Almeida.

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