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Amigo de Bolsonaro é indicado para cargo na Petrobras com salário de R$ 50 mil

Carlos Victor Guerra Nagem, conhecido como Capitão Victor, já disputou eleições e não se elegeu. Agora, ocupará a gerência executiva de inteligência e segurança da estatal

  • Folhapress
 | Stéferson Faria/Agência Petrobras
Stéferson Faria/Agência Petrobras
 
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Apontado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) como seu “amigo particular” em uma de suas campanhas políticas, Carlos Victor Guerra Nagem foi indicado pela direção da Petrobras para a gerência executiva de inteligência e segurança corporativa. A gerência executiva, para a qual Nagem foi indicado, é o segundo cargo mais alto na hierarquia da Petrobras, abaixo apenas da diretoria executiva.Embora a estatal não revele os salários de seus funcionários, estima-se que o cargo pague cerca de R$ 50 mil mensais. Hoje, ele receberia cerca de R$ 15 mil. A informação foi revelada pelo site O Antagonista .

A estatal defende a indicação dizendo que Nagem é empregado da Petrobras há cerca de 11 anos e que ele tem o currículo adequado para a vaga. Atualmente lotado em Curitiba, o novo gerente nunca havia ocupado cargo comissionado na empresa.

Nagem concorreu a cargos políticos três vezes

Nagem já se candidatou a cargos públicos pelo menos duas vezes sob a alcunha Capitão Victor, em referência a seu histórico na Escola Naval. Mas não conseguiu votos suficientes para se eleger em nenhuma das ocasiões.  Na eleição de 2018, concorreu a uma vaga de deputado estadual do Paraná pelo PSC. Obteve apenas 583 votos. Antes, em 2016, havia disputado o cargo de vereador de Curitiba, também pelo PSC. Recebeu 1.129 votos.

Na campanha para a Câmara Municipal, contou com o apoio do atual presidente da República, que aparece em vídeo pedindo votos para aquele que chama de “amigo particular”.  “É um homem, um cidadão que conheço há quase 30 anos. Um homem de respeito, que vai estar à disposição de vocês na Câmara lutando pelos valores familiares. E quem sabe, no futuro, tendo mais uma opção para nos acompanhar até Brasília”, diz Bolsonaro no vídeo (assista à íntegra).

Leia também: Bate-cabeça, recuos e contradições marcam o começo do governo Bolsonaro

Presidente da Petrobras nega indicação política

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, negou em entrevista à reportagem que a indicação tenha motivação politica. Ele defendeu a experiência de Nagem na área, dizendo que o indicado trabalha há seis anos na área de segurança empresarial da Petrobras.

“Não recebi pedido ou indicação de ninguém”, disse. “Escolhi a melhor pessoa que entrevistei.” Sobre a ascensão na carreira de Nagem após a eleição de Bolsonaro, o executivo argumentou que “no passado, o que contava na Petrobras era político, não era critério técnico”.

Argumento semelhante tem sido usado pelo vice-presidente Hamilton Mourão para justificar a nomeação de seu filho, Antônio Mourão, ao cargo de assessor especial do novo presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes. A nomeação de Novaes gerou desconforto entre os demais empregados do banco e na própria base de apoio do governo Bolsonaro.

Leia também: Promoção do filho de Mourão no BB expõe Bolsonaro a críticas por descumprir promessa

Gerência de Segurança foi um dos primeiros alvos da nova gestão da Petrobras

A gerência de Segurança e Inteligência Corporativa foi um dos primeiros alvos da nova gestão da Petrobras. Ainda no período de transição, a empresa demitiu a gerente anterior, Regina de Luca, que é historicamente ligada ao PT e havia sido nomeada por Pedro Parente.

Em um processo de renovação da diretoria, Castello Branco substituiu também três executivos nomeados ainda no governo Dilma Rousseff, os últimos remanescentes da gestão petista na estatal – Solange Guedes, Hugo Repsold e Jorge Celestino.

Assista à íntegra do vídeo em que Bolsonaro diz ser amigo do Capitão Victor

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