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Bloqueios e desabastecimento: transtornos do 3.º dia de greve dos caminhoneiros

Há pontos de interdição em 23 estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná. Ao todo, são 253 focos de protesto pelo país

  • Folhapress
 | Tomaz Silva/Agência Brasil
Tomaz Silva/Agência Brasil
 
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Caminhoneiros estão bloqueando pistas no país desde a madrugada desta quarta-feira (23), no terceiro dia da greve de caminhoneiros, provocando congestionamentos e lentidão no trânsito.

Há pontos de interdição em 23 estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná - este com 37 pontos de manifestação neste momento. Ao todo, são 253 focos de protesto.

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A greve é organizada pela Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), que representa motoristas autônomos - a paralisação não envolve veículos fretados.

Em São Paulo, havia manifestações de manhã na avenida Aricanduva (zona leste), Marechal Tito (zona leste) e Washington Luís (zona sul). O trânsito acumulava 88 km às 9h30, acima da média para o horário, segundo a CET.

A paralisação já afeta a entrega dos Correios e o abastecimento de combustível de grandes cidades - o transporte público do Rio de Janeiro e Recife foi atingido. Comunicado da estatal informou que a greve tem provocado “forte impacto às operações da empresa em todo o país” e que, por isso, estão suspensas temporariamente as postagens das encomendas com hora marcada. São os casos do Sedex 10, 12 e Hoje.

“Tendo em vista comprometer a distribuição, também haverá o acréscimo de dias no prazo de entrega dos serviços Sedex e PAC, bem como das correspondências enquanto perdurarem os efeitos desta greve”, diz trecho do comunicado.

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Em São Paulo, os motoristas em greve atearam fogo e interditaram três pontos da rodovia Régis Bittencourt, nos km 279, 385 e 477.

Os dois sentidos do km 279 da rodovia, em Embu das Artes, foram interditados. Já em Miracatu, no km 385, o trânsito está lento devido ao bloqueio parcial de duas faixas.

O km 477 da rodovia, em Jacupiranga, apresenta o pior cenário no momento, com ao menos cinco quilômetros de congestionamento devido à interdição da pista.“Minha preocupação é que não sei mais o que falar o que falar com o meu pessoal. Ninguém de nós foi procurado pelo governo”, disse José da Fonseca Lopes, presidente da Abcam.

A rodovia Dutra também registrou bloqueio em Guarulhos no início da manhã desta quarta. Na rodovia Fernão Dias, os motoristas enfrentavam ao menos 15 bloqueios em cidades de São Paulo e Minas Gerais. A PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Minas registrava outros bloqueios em trechos das rodovias BR-40, BR-50, BR-116, BR-153, BR-251, BR-262, BR-365 e BR-381.

No Paraná, há 36 pontos de protesto dos caminhoneiros autônomos nesta quarta, dos quais quatro com interdição parcial das pistas, em Paranaguá, Mandaguaçu, Marialva e Mandaguari, de acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal).Nos outros pontos, os caminhoneiros estacionaram os caminhões no acostamento das rodovias, em cidades como Ponta Grossa, Guarapuava e Foz do Iguaçu.

No Espírito Santo, o trânsito está interrompido nos quilômetros 304, 376 e 414 da BR-101; no km 262 da BR-262; km 46 e km 50,7 da BR-259.

Entenda as reivindicações dos caminhoneiros

Os caminhoneiros pedem mudanças na política de reajuste dos combustíveis da Petrobras (medida que o governo refuta) e redução da carga tributária para o diesel (que está em negociação).

A nova política de reajustes, adotada pela Petrobras em julho do ano passado, é bem-vista por investidores por acompanhar o padrão adotado em outros países. Alterá-la agora seria interpretado como intervenção do governo na estatal.

Com essa nova política, os valores dos combustíveis sofrem alterações diárias que acompanham a cotação internacional do petróleo e a variação do câmbio.

Como o dólar e o preço do óleo tiveram repiques, o valor do diesel saltou. Em um mês, o litro do diesel na bomba subiu 4,9%, de R$ 3,42 para R$ 3,59, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo).

O que é proposto como acordo

Na tentativa de encerrar a greve dos caminhoneiros, que já atinge 24 estados, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou, nesta terça-feira (22), que o governo vai zerar a cobrança da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre o diesel. Impôs, no entanto, uma condição: que o Congresso aprove a reoneração da folha de pagamento.

LEIA MAIS: Política de preços não muda ‘em hipótese nenhuma’, avisa presidente da Petrobras

“Hoje fechamos um acordo com os presidentes da Câmara e do Senado”, disse Guardia. “Uma vez aprovada a reoneração”, sairemos com o decreto zerando a Cide.”

O governo está cauteloso porque zerar a Cide amplia a perda de arrecadação em um momento de aperto fiscal. A estimativa é de uma perda de R$ 2,5 bilhões com a Cide, mas de um ganho de R$ 3 bilhões com a reoneração.

A reação do Congresso, porém, se mostra inconclusiva. Logo após o anúncio, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que pretende colocar o projeto em votação na próxima semana.

Porém, ao fim da noite, Maia deu uma nova declaração: que incluiria a redução da PIS/Cofins do diesel no projeto de reoneração da folha: o que ampliaria a perda fiscal.

Por sua vez, o relator da proposta de reoneração, deputado Orlando Silva (PC do B-SP), disse que não quer limitar a queda do tributo ao diesel. “Vou tentar ver se fica de pé uma abordagem que inclua o gás de cozinha e gasolina”, disse Silva. As conversas prosseguem nesta quarta.

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