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Celular não! Com receio de grampo, mundo político veta o aparelho em reuniões

Em vários gabinetes dos três poderes, o celular virou inimigo número 1. No Palácio do Planalto, por exemplo, aparelho fica na portaria, sob a guarda de secretárias e seguranças

  • Brasília
  • Evandro Éboli
 | Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
 
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O grampo arquitetado pelo empresário Joesley Batista que gravou o presidente Michel Temer e outros figurões da República assustou geral o mundo político em Brasília. Em vários gabinetes dos três poderes, o celular virou inimigo número 1. No Palácio do Planalto, por exemplo, ninguém entra para uma audiência com Temer ou alguns de seus ministros, como Eliseu Padilha (Casa Civil) e Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo), com o aparelho móvel em mãos. A engenhoca fica na portaria, sob a guarda de secretárias e seguranças.

No gabinete do terceiro andar de Temer, quem chega para falar com o presidente deixa o aparelho na entrada e recebe um número, uma senha, e o pega na volta, após a reunião. A regra vale inclusive para os mais próximos do presidente. Nas “romarias’ de deputados no Planalto, por conta da última denúncia contra Temer, ficam até dois funcionários na coleta dos celulares. Na semana passada, o presidente recebeu quase 50 parlamentares num só dia. 

Um dos vice-líderes do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP) é alvo também do "confisco" temporário do celular e conta como age quando precisa mostrar algo a Temer que está no seu aparelho. "Já aviso ao ajudante de ordens antes, ele traz o aparelho para mim, mostro e depois devolvo. Não tem escapatória. Esse rigor é com todo mundo mesmo ", disse Mansur. 

Os cuidados de Temer se redobraram antes mesmo do grampo de Joesley. No final do ano passado, o presidente foi alvo de uma gravação de Marcelo Callero, então seu ministro da Cultura. O episódio desgastou o presidente e levou à demissão do então ministro Geddel Vieira Lima, que era Secretário de Governo, e pressionava o Iphan para dar seu aval na obra de um prédio no centro histórico de Salvador (BA), onde comprou um imóvel. 

R$ 150 milhões por 30 deputados

Suposto alvo de uma gravação de Joesley, o deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) tomou suas precauções. Quem chega para falar com ele no seu gabinete, na Câmara, é obrigado a desligar o celular. Em seu depoimento, o dono da JBS afirmou que Bacelar pediu a ele R$ 150 milhões para "comprar" o voto de 30 deputados a favor da ex-presidente Dilma Rousseff e contra seu impeachment. O empresário afirmou que cinco deputados ele compraria, 30 não. E teria dado R$ 15 milhões. Bacelar negou o fato, mas não quer saber de estranhos com celular perto dele. 

No Tribunal de Contas da União (TCU), relatam deputados, há dois ministros que não aceitam audiências com celular presente. São eles, Vital do Rêgo e Augusto Shermann. A medida é adotada, por prudência, também por outros tribunais. 

Esse problema com celulares "não convidados" não é de hoje. Ex-ministro de Minas e Energia do governo Dilma, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) recebia um grupo de sindicalistas de empresas de distribuidoras de energia do Norte e Nordeste. A certa altura notou que uma pessoa o estava filmando. 

"Você está me gravando? Não pode! Isso tem que ser combinado", questionou o ministro. A pessoa desligou e no final o ministro amenizou a situação, perguntando se queria gravar um depoimento dele.

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