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Mais Médicos

Com fim de parceria, médicos cubanos começam a deixar o Brasil no dia 25

Representantes do Conasems e da Opas definiram os termos da saída dos médicos cubanos em reunião realizada nesta quinta (15), na embaixada de Cuba

    • Folhapress
    • 15/11/2018 17:01
    Chegada de 40 médicos cubanos a Curitiba, em dezembro de 2013. | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
    Chegada de 40 médicos cubanos a Curitiba, em dezembro de 2013.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

    Após o anúncio do fim da parceria de Cuba com o Mais Médicos, a previsão é que médicos cubanos que atuam no programa federal comecem a deixar o país já no dia 25 deste mês.

    A saída deve ser gradual, separada por regiões. Em alguns dias, haverá mais de um voo de volta ao país caribenho.

    Atualmente, de 16.150 médicos que atuam no Mais Médicos, 8.332 são cubanos. A previsão é que todos eles deixem o Brasil em até 40 dias a contar desta quinta-feira (15) — neste caso, a data final seria 25 de dezembro.

    Os dados foram informados em reunião da embaixada de Cuba com representantes do Conasems, conselho que reúne secretários municipais de saúde, e membros da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), até então responsável por intermediar a vinda dos médicos ao programa.

    O fim da participação dos médicos cubanos foi anunciado nesta quarta-feira (14).

    LEIA MAIS:Entenda o que é o Mais Médicos e por que Cuba decidiu deixar o programa

    Em nota divulgada pelo Ministério da Saúde do país caribenho, a decisão é atribuída a questionamentos feitos pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), à qualificação dos médicos cubanos e ao seu projeto de modificar o acordo, exigindo revalidação de diplomas no Brasil e contratação individual.

    “Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, afirmou Bolsonaro, por meio de sua conta no Twitter, após a decisão anunciada pelo governo cubano.

    Já o governo de Cuba diz, em nota, que as ameaças de alterações no termo de cooperação firmado com a Opas são “inaceitáveis” e que o povo brasileiro saberá a quem responsabilizar pelo fim do convênio.

    LEIA TAMBÉM: Em 2013, Bolsonaro pediu suspensão do programa Mais Médicos ao STF

    No encontro desta quinta, representantes da embaixada comunicaram os municípios que a decisão é “irrevogável”.

    Também fizeram um pedido para que prefeitos apoiem a saída -do contrário, além do fim do vínculo com o programa, os médicos ficariam em situação irregular no país.

    “Mesmo que alguns queiram voltar, porque alguns já constituíram família, tem que ir, fazer a rescisão do contrato, para depois retornar e tentar permanecer no Brasil”, relata o presidente do Conasems, Mauro Junqueira.

    O rompimento do convênio, que já dura desde 2013, no entanto, preocupa municípios, que temem que a saída gere desassistência.

    “O programa Mais Médicos atua exclusivamente na atenção básica, com prevenção, promoção da saúde e controle de doenças transmissíveis. Se ficar sem médico, o paciente vai agudizar e vai para hospitais, e vai aumentar o caos. Precisamos fazer é ter agilidade para repor médicos”, afirma Junqueira.

    Em nota, o Ministério da Saúde informa que lançará um edital emergencial para reposição das vagas na próxima semana.

    Informa ainda que está adotando todas as medidas necessárias “para garantir a assistência dos brasileiros atendidos pelas equipes da Saúde da Família que contam com profissionais de Cuba”.

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