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| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pediu – e levou – à JBS R$ 30 milhões para sua campanha à presidência da Câmara dos Deputados em 2014. As informações estão no acordo de colaboração premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do empresário Joesley Batista.

Segundo o empresário, Cunha o procurou entre agosto de 2014 e o início de 2015 “alegando que precisaria do dinheiro para essa campanha”. Além disso, o então deputado também pedia o auxílio de Ricardo Saud, executivo do grupo JBS, que na época tinha “grande prestígio no Congresso Nacional”.

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A ascensão de Cunha fez com que Joesley concordasse com o pagamento. A propina foi paga pela JBS de três maneiras diferentes. Entre setembro e outubro de 2014 foram pagos R$ 10,9 milhões por meio de várias notas fiscais emitidas para a JBS. Outros R$ 12 milhões teriam sido pagos em dinheiro, em vários locais, e R$ 5,6 milhões foram distribuídos em doações oficiais ao PMDB Nacional e correligionários de Cunha.

Desoneração do setor ‘custou’ R$ 20 milhões

Essa não foi a única vez que a JBS pagou propina ao ex-deputado, segundo os depoimentos de Joesley. O empresário conta que, em fevereiro do ano passado, compareceu a uma reunião na residência oficial da presidência da Câmara dos Deputados para conversar com Cunha sobre a renovação das desonerações da folha de pagamento.

Na ocasião, Cunha teria pedido R$ 20 milhões em propina para que o setor de aves mantivesse sua desoneração. O argumento é de que ele precisaria distribuir o dinheiro para outros deputados federais. Joesley aceitou pagar a propina e a desoneração do setor foi mantida.

O pagamento, de acordo com a delação de Joesley, foi feito em espécie. Do total, R$ 12 milhões foram pagos por meio de entregas em dinheiro a Altair Alves Pinto, ex-funcionário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e apontado como “faz tudo” de Cunha, entre março e setembro de 2016. Outros R$ 3 milhões teriam sido pagos em mãos por Joesley a Eduardo Cunha, em três parcelas, sempre no Aeroporto de Jacarepaguá. Por fim, outros R$ 5 milhões foram pagos depois da prisão do ex-deputado – ele foi preso em outubro de 2016 na Lava Jato – a Altair em duas parcelas.

Amigo de Cunha, Lucio Funaro também intermediou propina de financiamentos bilionários

O empresário Lúcio Funaro, operador de Eduardo Cunha, também mantinha contato com Joesley. Eles foram apresentados em 2011, por intermédio do empresário Paulo Sergio Formigoni de Oliveira. Na ocasião, Funaro, falando também em nome de Cunha, disse que poderia ajudar Joesley a obter financiamentos junto ao FI-FGTS, já que era o responsável pala nomeação de Fabio Cleto como vice-presidente de fundos de governo e loterias da Caixa Econômica Federal – Cleto também era representante do governo no conselho curador do FGTS.

Em troca do auxílio, Joesley teria de repassar propina de 3% a 3,5% o montante a ser financiado. De acordo com o empresário, Funaro deixou claro que “poderia criar dificuldades intransponíveis” caso não houvesse o repasse do dinheiro. Entre 2011 e 2014, o grupo JBS obteve R$ 2,89 bilhões em financiamentos junto à Caixa ou ao FI-FGTS. A propina paga por essas operações somou R$ 89,95 milhões. O pagamento era feito por um sistema de conta corrente criado por Joesley: ou a propina era paga em espécie (reais ou dólares) ou por notas fiscais emitidas a empresas do grupo JBS por outras empresas de propriedade de Funaro ou indicadas por ele. Foi neste período que Joesley passou a conhecer pessoalmente Eduardo Cunha – a partir daí, os dois também negociavam diretamente.

Propina por fiscalização de frigoríficos rendeu briga

Funaro também ofereceu a Joesley influência dentro do Ministério da Agricultura por meio da nomeação de Rodrigo Figueiredo como Secretário de Defesa da Agropecuária, em 2013. O empresário pediu, então, que eles articulassem a federalização do sistema de inspeção animal no Brasil.

O pedido gerou atritos entre Joesley e Cunha, que discutiram diante do então ministro Toninho Andrade, que precisou apartar uma iminente briga física entre os dois. Cunha reclamava por Joesley apresentar “demandas inviáveis”, porque isso impedia a obtenção ode propinas. Os dois retomaram a ‘amizade’ pouco tempo depois.

Nesse segmento, o trabalho avançou em uma única vertente: a exportação de despojos, que foi regulamentada em março de 2014 e caiu no ano seguinte, em março de 2015. Para isso, a propina paga foi de R$ 2 milhões. Além disso, Joesley conseguiu revogar um normativo sobre a aplicação de vermífugos. Para isso, desembolsou mais R$ 5 milhões.

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