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| Foto: NELSON ALMEIDA/AFP

Em uma amostra de que a atual campanha tem sido atípica, entre os 100 candidatos que mais investiram em suas campanhas, menos da metade conseguiu se eleger. Em linhas gerais, os gastos de campanha são bem menores do que em 2014. Naquele ano, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Roussef (PT) receberam o equivalente a R$ 577 milhões para desenvolverem suas campanhas. Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) receberam juntos R$ 35 milhões. 

Dos valores declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre os presidenciáveis que chegaram ao segundo turno, o candidato Fernando Haddad (PT) já gastou R$ 20,5 milhões até o momento, dos 32,5 milhões recebidos. Esse valor corresponde a doze vezes o montante declarado por Jair Bolsonaro (PLS), pouco mais de R$ 1,7 milhão - dos 2,5 milhões recebidos. 

A desproporcionalidade está longe de corresponder à realidade de votos. No primeiro turno, Bolsonaro recebeu 49,3 milhões de votos. Haddad, 31,3 milhões de votos. No segundo turno, as pesquisas eleitorais continuam a mostrar o favoritismo do capitão do exército. Mas quais foram os principais investimentos que podem ter feito a diferença para os dois candidatos? 

Os top 5 gastos de Haddad

De acordo com o que foi declarado até o momento pelo candidato petista Fernando Haddad, seu maior gasto está vinculado à produção de material audiovisual. O site do TSE mostra que o presidenciável já investiu mais de R$ 6,3 milhões em suas peças para rádio, TV, e web. Esta quantia representa 15% de tudo que foi gasto até o momento para eleger o ex-ministro.

Sua segunda maior despesa foi com doações para outros partidos e candidatos durante o primeiro turno, cerca de R$ 4,9 milhões. Esta prática foi corriqueira nesta eleição devido às novas restrições de arrecadação, que além de limitar os valores máximos de campanha para cada cargo, também limitaram doações a pessoas físicas, candidatos e partidos. 

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Em terceiro lugar ficou o gasto com viagem e hospedagem das comitivas de campanha: valor aproximado de R$ 2,3 milhões pagos principalmente para empresas de transporte aéreo.

A quarta posição fica com o investimento feito em publicidade impressa. Até o momento, a campanha do petista bancou aproximadamente R$ 2 milhões em materiais impressos. Esse valor representa cerca de 10% de todo gasto até o momento.

Os Institutos de pesquisa ficam com o quinto lugar nos gastos de campanha do presidenciável. A quantia desembolsada até o momento para saber como a população está se posicionando nesse pleito foi cerca de R$ 1,3 milhão.

Os top 5 gastos de Bolsonaro

Dos valores declarados até o momento ao TSE, o maior investimento feito pela campanha de Jair Bolsonaro - assim como o adversário - foi com produções audiovisuais. Segundo a prestação de contas do candidato, ele já teria gasto R$ 660 mil com peças para rádio, TV e web. Esse valor corresponde a cerca de 38% de toda a despesa declarada até agora.

Em seguida estão os custos com “serviços prestados por terceiros”: despesas com agências de viagens. Este gasto compõe cerca de 21% das despesas totais declaradas, com valor de R$ 360 mil, aproximadamente.

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Na terceira posição ficam as doações para partidos e candidatos. Foram repassados R$ 345 mil para outros candidatos, e que representa 20% de todo gasto de campanha. Uma curiosidade que desse valor: R$200 mil foram para ajudar a campanha de Flávio Bolsonaro (PSL) e R$ 100 mil enviados para a conta de campanha de Eduardo Bolsonaro. Os dois são filhos do candidato à Presidência e foram eleitos senador pelo Rio de Janeiro e deputado federal por São Paulo, respectivamente. 

Em quarto lugar estão as despesas com a criação e inclusão de páginas na internet. Segundo sua prestação de conta o investimento nesse segmento foi de R$ 115 mil.

E na quinta posição ficaram os gastos com publicidade por adesivos. O candidato informou ter desembolsado R$ 112 mil com a produção e impressão desses itens de campanha. Esse investimento corresponde a pouco mais de 6% do total dos gastos do presidenciável. 

Empresas que mais ganharam

O período eleitoral é a safra para muitas empresas, principalmente para as que atuam no setor de audiovisual e de pesquisas. Quem conseguiu levar a maior fatia dos valores gastos com a campanha de Fernando Haddad foi a empresa Rentalcine: R$ 3 milhões até o momento.

Ela está registrada com a razão social Rental Locação de Bens Móveis LTDA e sua sede fica em Moema, na capital paulista. Há quatro anos no mercado, atua na locação e manutenção de equipamentos audiovisuais e materiais de estúdio.

Em segundo lugar está o instituto de pesquisa OMA. Também localizado na cidade de São Paulo, presta serviços a empresas, governos, ONG’s, universidades, fundações e partidos políticos. Até agora, a campanha de Haddad já investiu pouco mais de R$ 1,2 milhão em estudos de opinião de eleitores.

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Pela campanha de Jair Bolsonaro, a empresa que conseguiu o melhor contrato atua há mais de 30 anos no mercado de produção publicitária de vários segmentos. A Studio Eletrônico, que tem sua sede em Campinas-Sp, conseguiu a conta das produções audiovisuais do candidato para o segundo turno, fechando um contrato de R$ 525 mil.

A segunda empresa que também conseguiu uma boa parte dos recursos de Bolsonaro foi a agência de viagens PontesTur. A maior agência de business travel de Pernambuco está presente no mercado desde 1986 e conseguiu abocanhar R$ 250 mil, referente a contrato de viagem e hospedagem do candidato e sua comitiva.

Supostos recursos não declarados

Na última quinta-feira (18), o jornal “Folha de S. Paulo” divulgou que empresas que apoiam Jair Bolsonaro (PSL) estariam comprando pacotes de disparos no WhatsApp contra o PT e preparando uma grande operação dias antes do segundo turno. Segundo o jornal, cada contrato chegaria a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, estaria a Havan – cujo dono, Luciano Hang, é apoiador de Bolsonaro.

Em resposta, o partido e seu candidato Fernando Haddad acionaram a Justiça Eleitoral.O TSE abriu investigação contra Bolsonaro e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar a participação de empresas. 

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