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Ana Estela Haddad, ao lado do marido, Fernando Haddad, durante votação do primeiro turno | PT/Divulgação
Ana Estela Haddad, ao lado do marido, Fernando Haddad, durante votação do primeiro turno| Foto: PT/Divulgação

Doutora em odontologia, professora da Universidade de São Paulo (USP) e gestora de políticas públicas relacionadas à educação e à saúde durante os governos Lula, Ana Estela Haddad pode ser a próxima primeira-dama do Brasil. Ela é casada há 30 anos com Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, com quem tem dois filhos: um menino de 26 e uma menina de 18. Acompanha de perto o marido na corrida ao Planalto, participando de eventos, entrevistas e atos de campanha. Ainda não se sabe se ela vai ocupar alguma função pública caso seu companheiro venha a ser eleito.

A participação de Ana Estela na campanha começou assim que Haddad foi oficializado candidato do PT ao Planalto, em 11 de setembro, dez dias depois de a Justiça Eleitoral barrar o nome do ex-presidente Lula com base na lei na Ficha Limpa. Ela estava ao lado do marido no ato do PT que confirmou Haddad candidato. O ato aconteceu em frente à carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba (PR), onde Lula está preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato.

Ana Estela Haddad (lado esq. da foto), ao lado do marido em 11 de setembro, quando ele foi oficializado candidato do PTMarcelo Andrade/Gazeta do Povo

Desde então, Ana Estela acompanha o marido em eventos, atos de campanha e entrevistas. Ela esteve, por exemplo, numa caminhada pela Avenida Paulista, em 16 de setembro, o primeiro domingo com Haddad candidato oficial do PT. Também participou do encontro com representantes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Rede Nacional Primeira Infância (RNPI) no fim de setembro.

Desde 22 de setembro, o site do PT e as redes sociais do partido e do Haddad passaram a publicar vídeos mostrando quem é Ana Estela Haddad. Foram, ao todo, três vídeos em formato depoimento e duas entrevistas. Neles, ela fala do período em que trabalhou nos ministério da Educação e da Saúde e sobre ter participado da implementação do Prouni durante o governo Lula.

Ana Estela como gestora pública

Ana Estela foi para Brasília em 2003, durante o governo Lula, primeiro como assessora de planejamento. Logo depois, ainda em 2003, foi convidada para trabalhar no Ministério da Educação (MEC) como assessora no gabinete do ministro Cristovam Buarque. Também permaneceu no cargo quando Tarso Genro assumiu o ministério. 

Em setembro de 2005, pediu para ser exonerada, já que Tarso saiu para ser presidente do PT, após o escândalo do mensalão, e Fernando Haddad virou ministro da Educação. Ana Estela e Haddad chegaram a trabalhar um período juntos no MEC, na gestão Tarso, ela como assessora e ele como secretário executivo.

Em entrevista à Carta Capital publicada em 21 de setembro, relevou que foi uma decisão difícil sair do MEC. “Aquele momento foi difícil, foi a primeira experiência de me descolar quando eu estava muito envolvida com as coisas que eu estava fazendo, foi minha primeira experiência na gestão pública e foi muito impactante.” E completou: “Eu estava feliz por ele, mas, por mim, eu estava triste porque eu tive que abrir mão”. 

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No MEC, atuou na implementação do Programa Universidade para Todos (Prouni), que dá bolsas a quem sempre estudou em escolas públicas. Em entrevistas, sempre gosta de mencionar como fato marcante a formatura da primeira turma de estudantes de Medicina financiados pelo Prouni, em 2010. 

Mas, logo depois que saiu do MEC, Ana Estela foi trabalhar no Ministério da Saúde, também durante o governo Lula. Ela ocupou o cargo de Diretora de Gestão da Educação na Saúde da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde e participou da idealização e implementação de programas como o Telessaúde, voltado à capacitação dos profissionais da área médica.

Primeira-dama de São Paulo 

Foram, ao todo, pouco mais de sete anos trabalhando nos ministérios da Educação e Saúde (2003 até 2010). Ana Estela voltou à posição de destaque na gestão pública quando seu marido, Fernando Haddad, foi eleito prefeito de São Paulo.

A então primeira-dama paulista coordenou voluntariamente o programa “São Paulo Carinhosa”, que junto com as secretarias do município desenvolvia ações voltadas para a primeira infância. Ela deixou a coordenação junto com o marido, que perdeu a reeleição ainda em primeiro turno para João Dória (PSDB).

Vida acadêmica

Nesse tempo como coordenadora, Ana Estela também se dedicou à vida acadêmica. Enquanto em Brasília a mulher de Haddad foi cedida das suas funções na USP para trabalhar exclusivamente nos ministérios, em São Paulo ela atuava voluntariamente na prefeitura e dava aulas na USP.

Ela ingressou como professora na Universidade de São Paulo em 2002, após longa carreira de estudante na própria universidade: graduou-se em Odontologia em 1988; em 1997, virou Mestre; e, em 2001, tornou-se doutora em Ciências Odontológicas. Chegou a atuar por um curto período em clínica, mas logo voltou-se à vida acadêmica.

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Atualmente, é livre-docente do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da USP. Está licenciada do cargo (fruto de licença-prêmio) para acompanhar o marido nas atividades de campanha, mas diz que, quinzenalmente, vai à faculdade orientar seus alunos. 

Explicou, em um dos vídeos de campanha do partido, que escolheu deixar um pouco de lado a carreira acadêmica e ir para o MEC porque era uma oportunidade de “conhecer um pouco mais da política de educação do país” e a colocar em prática sua experiência como pesquisadora na área de saúde pública. Diz, também, que a prática a ajuda como professora. 

Lado petista

Ana Estela também demonstra ser uma militante petista, apesar de evitar o rótulo. Em entrevistas, defende o legado dos governos Lula e diz que o impeachment de Dilma Rousseff foi fruto de uma ação política que não aceitou o resultado das urnas. Ela, porém, não costuma falar a palavra “golpe”, normalmente usada pela ala mais radical do PT. 

Chegou a dizer em uma entrevista ao site do PT que Lula poderia ser considerado o padrinho da odontologia “porque ele, não sendo dentista, dá uma importância muito grande para a saúde bucal”. Ela falava do programa Brasil Sorridente, criado em 2003 para ampliar o acesso odontológico gratuito no país.

Em entrevista ao Jornal do Brasil, publicada no último domingo (21), afirmou que sempre se identificou com o PT. “Sempre votei no PT, e nem sempre fui militante. Só fui conhecer o partido de perto quando fui trabalhar na gestão do presidente Lula. Desde então, minha admiração pelo partido só cresceu. Já faz muitos anos que o partido está nessa luta.”

Como Haddad e Ana Estela se conheceram

Haddad e Ana Estela se conheceram ainda adolescente, no Clube Sírio, em São Paulo. Em 1988, se casaram e, neste ano, comemoraram bodas de pérola (30 anos de casados). Curiosamente, possuem o mesmo sobrenome: Haddad. 

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Ela descreve o marido como “professor, político que tem causa, ideal, pai maravilhoso, companheiro”. Diz que, junto a sua família (ela, o marido e seus dois filhos), gostam de cantar e tocar. Há muito tempo, ela tocou violão. Hoje, deixa a função para Haddad e seu filho Frederico (26). Ana Carolina (18) toca piano. Entre os cantores favoritos da família, estão Chico Buarque, Caetano Veloso, Dorival Caymmi e Elis Regina.

Polêmicas

Esteve ao lado do marido recentemente, durante uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro. Ela, o marido e Manuela D’Ávila (PCdoB), vice do Haddad na chapa a presidente, assistiram à missa em homenagem ao dia da padroeira do Brasil na Paróquia Santos Mártires, no Jardim Ângela, em São Paulo. A presença de Haddad e Manuela foi bastante crítica por católicos, já que os dois não seriam religiosos.

Também há pouco tempo, Ana Estela falou sobre aborto. Questionada pela Carta Capital em setembro sobre o tema, disse que o aborto, como está colocado na sociedade, é um problema de saúde pública e que não deve ser criminalizado.

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“(...) eu acho que, primeiro, o caminho não é criminalizar. Não acho uma prática desejável e que ninguém queira fazer. É um violência em si. A gente tem que trabalhar na sociedade para que não seja necessário [abortar], mas ao mesmo tempo não desamparar e não deixar como está. Porque se deixar como está as mulheres vão continuar morrendo por conta disso. E encarcerar não é o caminho.”

Ana Estela diz não gostar de exposição pública

Apesar da vida como gestora pública, da presença ao lado do marido durante a campanha ao Planalto e de várias entrevistas à imprensa, Ana Estela diz não gostar da exposição pública. “Preferiria fazer gestão pública sem exposição”, contou em entrevista. 

Ainda não está certo que Ana Estela ocupará alguma função pública se o seu marido vier a ser eleito. Mas, antes de “concorrer” ao cargo de primeira-dama da República, ela quase saiu candidata: foi convidada a ser candidata a deputada estadual, federal e a vice na chapa de Luiz Marinho ao governo de São Paulo neste ano. Recusou todas as ofertas do PT, mas não descarta nada para o futuro. 

Função protocolar

No Brasil, a primeira-dama tem uma função protocolar. Ela é não obrigada por lei a se envolver em funções públicas, mas, tradicionalmente, ocupa posições ligadas a causas sociais. Quem quebrou essa tradição foi Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula, que não ocupou nenhuma função social durante os mandatos do marido. 

A atual primeira-dama, Marcela Temer, foi nomeada embaixadora voluntária do Programa Criança Feliz, voltado para o desenvolvimento integral da primeira infância.

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