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Carro da Polícia Federal transporta preso da Lava Jato: operação estpa no centro das atenções desde que foi deflagrada, em 2014. | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Carro da Polícia Federal transporta preso da Lava Jato: operação estpa no centro das atenções desde que foi deflagrada, em 2014.| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

O dia D das convenções presidenciais, que concentrou neste sábado (4) o maior número de lançamentos oficiais de candidatos a presidente, contou com uma ‘personagem’ que esteve intencionalmente presente ou ausente nos encontros dos principais partidos: a Lava Jato.

De um lado, dois dos principais candidatos oficializados neste sábado deixaram claro seu apoio à operação, numa tentativa de associar sua imagem à das investigações contra a corrupção: Marina Silva (Rede) e Alvaro Dias (Podemos).

No outro extremo, o PT insistiu no discurso de que a operação seria uma grande armação para prejudicar o partido e Lula, também oficializado como candidato a presidente neste sábado.

No meio desses dois polos, Geraldo Alckmin não citou a Lava Jato na convenção do PSDB – até mesmo porque ele é alvo da operação. Mas a investigação surgiu na reunião tucana como uma “personagem oculta”: o candidato se colocou como o único que pode unir o país – aproveitando-se da divisão política do Brasil provocada em grande medida pelos desdobramentos da Lava Jato.

Marina é apresentada como a candidata ficha-limpa que vai lutar contra os investigados pela Lava Jato

Durante a convenção da Rede, Marina Silva falou de combate à corrupção, mas não se referiu especificamente à Lava Jato. Essa tarefa coube a seus aliados, que procuraram transmitir a imagem de que ela não é investigada pela operação – em contraposição a outros concorrentes que são alvo da Lava Jato.

O economista Eduardo Gianetti, um dos “mentores” de Marina, enalteceu a Lava Jato no seu curto discurso. Disse que a candidata da Rede representa o oposto do que está sendo revelado pela operação. “A Lava Jato revelou o que acontece nas entranhas do país. Precisávamos passar por esse processo. O novo modelo de fazer política está representado na Marina. Os outros já mostraram aí que nada pretendem mudar”, disse Gianetti.

“A militância do PV [partido que indicou o vice de Marina, Eduardo Jorge] e da Rede vão com a cabeça erguida para rua, porque aqui não tem ninguém na Lava Jato, não tem nenhum bandido”, afirmou Pedro Ivo Batista, porta-voz da Rede.

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Alvaro Dias convida Sergio Moro e outros juristas anticorrupção para seu ministério

Já o candidato do Podemos, Alvaro Dias, escolheu Curitiba, capital da Lava Jato, para realizar a convenção de de seu partido. Durante o encontro partidário, o candidato afirmou que vai convidar o juiz da Lava Jato, Sergio Moro, para ser seu ministro da Justiça.

Ele também buscou marcar posição como o candidato que irá combater a corrupção: “Vou convocar [para compor o governo] mais três juristas brasileiros. Já os convidei e já aceitaram: Miguel Reale Jr., Modesto Carvalhosa e René Dotti. Estamos convocando uma seleção para derrotar a impunidade.”

René Dotti hoje é advogado da Petrobras e atua, nos processos da Lava Jato, como assistente da acusação do Ministério Público Federal (MPF). O papel dele nas ações é defender a estatal e tentar reaver os valores desviados da empresa pelo esquema de corrupção. Em audiências das Lava Jato, Dotti já defendeu Moro e discutiu com a defesa de Lula.

Miguel Reale Jr. também tem uma relação indireta com a Lava Jato. Ele foi um dos autores do pedido do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Embora a petista tenha sido cassada pelas pedaladas fiscais, as denúncias de corrupção contra o governo dela foram fundamentais para criar o clima que levou ao impeachment.

O jurista Modesto Carvalhosa – autor dos livros Considerações Sobre a Lei Anticorrupção das Pessoas Jurídicas e O Livro Negro da Corrupção – também é um defensor da Lava Jato.

Na convenção do PT, Lula aparece com o “mocinho” e a Lava Jato como o “bandido”

Já a convenção do PT que oficializou a candidatura do ex-presidente Lula virou um ato contra a Lava Jato – apresentada como uma operação da elite brasileira cujo objetivo não é combater a corrupção, mas tirar o PT e Lula do jogo político. Lula não participou do encontro justamente por ter sido condenado e preso pela Lava Jato.

“Já derrubaram uma presidenta eleita. Agora querem vetar o direito do povo escolher livremente o próximo presidente. Querem inventar uma democracia sem povo”, diz carta de Lula lida durante a convenção.

Noutro momento do encontro partidário, foi exibido um vídeo em que um narrador falava como se fosse o ex-presidente. Ele dizia que ter sido “preso pelas mentiras que armaram”.

O vídeo insinuava que isso teria sido feito com a ajuda de “políticos sem voto” que seriam responsáveis pelo preço abusivo dos combustíveis e pelo aumento do desemprego (o PT omitiu que o número de desempregados já era alto durante o governo Dilma). Ao mesmo tempo, eram mostradas fotos de Moro, Alckmin e do presidente Michel Temer (MDB). O material se encerrava dizendo que o Brasil precisa “restaurar a democracia” e vencer o “complexo de vira-latas”.

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Investigado, Alckmin não cita a Lava Jato. Mas se aproveita de uma de suas consequências como plataforma de campanha

O tucano Geraldo Alckmin optou por não fazer referência à Lava Jato durante a convenção do PSDB que oficializou sua candidatura. A escolha é estratégica: o próprio Alckmin é investigado pela operação; e políticos de vários partidos de sua coligação também são alvo da Lava Jato.

Ainda assim, o contexto da operação, que dividiu o país entre defensores e críticos da Lava Jato, foi o pano de fundo da principal proposta do tucano: unir o país. “Não podemos nos dividir, porque uma nação dividida não multiplica empregos, saúde, educação, segurança. Um país dividido não multiplica felicidade. Quero ser presidente para unir o país”, afirmou Alckmin.

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