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Alberto Torregiani, filho de Pierluigi Rorregiani, perdeu os movimentos das pernas ao ser atingido por um tiro no atentado que matou seu pai, em 1979: mais uma vitima do grupo extremista PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), do qual fazia parte Cesare Battisti | Rosana Félix / Agencia de Noticias Gazeta do Povo
Alberto Torregiani, filho de Pierluigi Rorregiani, perdeu os movimentos das pernas ao ser atingido por um tiro no atentado que matou seu pai, em 1979: mais uma vitima do grupo extremista PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), do qual fazia parte Cesare Battisti| Foto: Rosana Félix / Agencia de Noticias Gazeta do Povo

Andrea Campagna tinha 24 anos quando foi assassinado pelas costas em Milão, no dia 19 de abril de 1979, pelo grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), um dos protagonistas dos chamados anos de chumbo, período em que a Itália enfrentou grupos armados da esquerda e da direita. Motorista da Digos, uma divisão da polícia italiana de combate ao terrorismo, Andrea foi morto, segundo um comunicado do PAC, por “torturar os proletários”.

Segundo a Justiça italiana, Cesare Battisti foi o responsável pelos disparos – um dos quatro homicídios atribuídos ao terrorista, que começa nesta segunda-feira (14), após uma fuga de quase 38 anos, a cumprir sua pena de prisão perpétua. Para Maurizio Campagna, irmão de Andrea, hoje termina um ciclo. “É um dia especial. Após quase 40 anos, os familiares podem finalmente dizer que a Justiça foi feita”, afirmou à reportagem.

Segundo Maurizio, era inaceitável a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de conceder refúgio ao italiano por suposta perseguição política. “A Itália não vivia sob uma ditadura. O processo contra Battisti passou nas três instâncias da Justiça italiana, com amplo direito de defesa, e ele foi condenado em todas elas”, ressaltou.

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De Veneza, Adriano Sabbadin também se emocionou ao acompanhar pela TV o desembarque de Battisti em Roma. “Um dia histórico”, disse à reportagem. Seu pai, Lino Sabbadin, um açougueiro de Mestre, na região de Veneza, foi assassinado em fevereiro de 1979. O assassinato – também realizado pelo PAC – era uma vingança à morte de um assaltante que tentou assaltar o açougue de Lino, que reagiu e o matou. Segundo a Justiça italiana, Battisti deu cobertura ao crime.

“Esperei quarenta anos por esse momento. Quero agradecer muito ao presidente de vocês, Jair Bolsonaro (PSL). Sem sua ajuda, isso não seria possível”, disse Adriano Sabbadin. Ele, Maurizio e os familiares das outras duas vítimas de Cesare Battisti devem se encontrar ainda nesta semana com o ministro do Interior, Matteo Salvini, segundo anunciou o próprio político.

No domingo (13), logo depois de anunciada a prisão de Battisti na Bolívia, Salvini se encontrou em Milão com Alberto Torregiani, hoje com 54 anos e na cadeira de rodas desde fevereiro de 1979, quando seu pai foi assassinado pelo grupo de Battisti -ferido na ação, Alberto sobreviveu, mas perdeu o movimento das pernas. “Agora meu pai pode repousar em paz”, disse Torregiani.

Battisti nega os crimes

Battisti reconhece ter feito parte do PAC. O italiano, contudo, nega os crimes e diz ser vítima de uma perseguição, sendo condenado à revelia por uma delação premiada firmada por um antigo companheiro do grupo.

Sua fuga da Justiça italiana começou em 1981, quando ele escapou do cárcere e se refugiou na França, onde viveu alguns anos antes de se mudar para o México. Ele voltou para Paris na década seguinte, onde viveu até 2004 protegido por uma legislação aprovada pelo governo François Mitterrand que não reconhecia a lei italiana antiterrorismo.

Naquele ano seu status de refugiado foi revertido por decisão do então presidente francês Jacques Chirac. No Brasil, onde ele foi preso em 2007 e depois receberia refúgio, sua condição também foi alterada com a mudança do governo.

Com a prisão de Battisti, comemorada na Itália por políticos de diferentes colorações, o governo anunciou que continuará a trabalhar pela extradição de outros condenados por terrorismo nos “anos de chumbo” que continuam no exterior -pelo menos 50 pessoas continuam refugiados em países como França, Suíça, Argentina e Nicarágua, segundo um centro de pesquisa dedicado à luta armada dos anos 1970.

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