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futuro da operação

Lava Jato pós-Moro vive período de readaptação com caras novas

Aos poucos, novos delegados e servidores se incorporam às equipes da PF, Ministério Público e Receita Federal

    • Folhapress
    • 12/03/2019 10:49

    Há muita cara nova nos corredores da Polícia Federal do Paraná --um dos epicentros da Operação Lava Jato.

    Desde o início do ano, quando o ex-juiz Sergio Moro assumiu o Ministério da Justiça, a Lava Jato em Curitiba vive um período de entressafra.

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    Junto com ele, mudaram-se para a capital federal alguns dos principais integrantes da investigação, que completa cinco anos no próximo dia 17.

    Estão em Brasília o antigo coordenador da Lava Jato na PF, Igor Romário de Paula; o ex-chefe da investigação da Receita Federal em Curitiba, Roberto Leonel de Oliveira Lima; o então chefe da perícia da superintendência paranaense, Fábio Salvador; além dos delegados Marcio Anselmo e Erika Marena, dois pioneiros da Lava Jato.

    Aos poucos, novos delegados e servidores se incorporam às equipes da PF, Ministério Público e Receita Federal. Um novo juiz, Luiz Antônio Bonat, assumiu o lugar de Moro no início de março.

    Ainda assim, os investigadores esperam um 2019 agitado, e tão movimentado quanto 2016 --ano em que Lula foi alvo de condução coercitiva e que teve 16 fases deflagradas.

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    “Enquanto houver delitos, a gente tem trabalho a fazer. A equipe se renova, mas não temos a menor intenção de parar”, afirmou à reportagem o procurador da República Roberson Pozzobon, no intervalo de uma entrevista sobre uma nova fase (a sexagésima da Lava Jato, e a terceira deflagrada neste ano).

    Apenas nos dois primeiros meses do ano, a operação prendeu um ex-governador, o paranaense Beto Richa; sentenciou o ex-presidente Lula pela segunda vez; deteve Paulo Preto, suspeito de ser operador do PSDB; e apresentou cinco denúncias.

    Um dos principais insumos da investigação deve vir de Brasília: pelo menos 25 inquéritos relativos a ex-parlamentares e agentes políticos que perderam o foro privilegiado (como os ex-senadores Romero Jucá, Valdir Raupp e Edison Lobão, entre outros) irão descer à primeira instância neste ano. Muitos deles devem acabar nas mãos de Bonat, pela conexão com os desvios na Petrobras.

    “Esse certamente será um dos grandes focos da Lava Jato neste ano”, disse à reportagem o procurador Deltan Dallagnol. “As pessoas que tiveram mais poder não podem ter sua responsabilidade ignorada.”

    Dallagnol também declarou que novos acordos de delação estão em negociação --o que também costuma impulsionar operações.

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    A renovada equipe de investigação, em especial na Polícia Federal (que sofreu o maior êxodo de seus integrantes a Brasília), é nova, mas não inexperiente.

    O novo superintendente em Curitiba, o delegado Luciano Flores de Lima, por exemplo, foi quem colheu o depoimento do ex-presidente Lula durante sua condução coercitiva, em março de 2016.

    Seu braço-direito será o delegado Ricardo Hiroshi Ishida, novo coordenador da Lava Jato na PF, que já atuou em operações de vulto em Brasília e chegou a ir ao Canadá atrás de mensagens do doleiro Alberto Youssef, ainda nos primórdios da investigação.

    Questionado pela reportagem sobre sua expectativa para este ano, Ishida disse estar cheio de trabalho.

    “Nós estamos num caminho de fortalecimento das instituições: não são as pessoas que fazem a investigação, é a Polícia Federal”, afirmou. “A investigação não para; é um caminho sem volta.”

    Atualmente em sua 60ª fase, a Lava Jato enfrenta críticas de que virou uma investigação permanente.

    O novo presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, declarou recentemente à Folha de S.Paulo que a Lava Jato não deve ser “um livro em fascículos interminável”, e disse estar preocupado com a paralisia do poder público diante da insegurança jurídica criada por investigações como essa.

    O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), um dos mais incisivos críticos da Lava Jato, já disse que a investigação foi “canonizada” e comparou a atuação da operação a uma “milícia institucional”.

    Os investigadores rebatem: “Me espanta que alguém considere parar um trabalho que está dando tantos frutos para a sociedade”, disse Dallagnol.

    Para ele, ainda falta à Lava Jato responsabilizar “as pessoas mais poderosas da nossa República”.

    “São essas pessoas que se busca isentar nesse momento, dizendo que as investigações devem ser encerradas? É um raciocínio antirrepublicano.”

    Na 13ª Vara Federal de Curitiba, assumida recentemente por Bonat, ainda há pelo menos 38 ações da Lava Jato em andamento --que julgam, entre outros réus, o ex-ministro Antonio Palocci, o ex-deputado Eduardo Cunha, ex-diretores e funcionários da Petrobras, além do ex-presidente Lula. Doze dessas ações já estão conclusas para sentença.

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