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eleições 2018

Ministro do Turismo teria criado esquema de laranjas para desviar verba, diz jornal

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, candidatas que tiveram baixa votação receberam verba eleitoral expressiva do PSL. E repassaram parte do dinheiro para empresas ligadas a assessores do ministro. Ele nega a suspeita

  • Da Redação
Álvaro Antônio nega as suspeitas levantadas pela reportagem. | Marcos Correa/PR
Álvaro Antônio nega as suspeitas levantadas pela reportagem. Marcos Correa/PR
 
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Reportagem publicada nesta segunda-feira (4) pelo jornal Folha de S.Paulo levanta a suspeita de que o deputado federal licenciado Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), hoje ministro do Turismo, patrocinou um esquema de candidaturas laranjas para direcionar verbas eleitorais a empresas e pessoas ligadas a seu gabinete na Câmara. Segundo o jornal, o PSL destinou no ano passado R$ 279 mil do Fundo Eleitoral para quatro candidatas a deputada em Minas Gerais que informaram ter contratado, com parte desse dinheiro (R$ 85 mil), serviços eleitorais de pessoas ligadas ao ministro ou empresas que pertencem a assessores, parentes ou sócios de auxiliares de Álvaro Antônio.

O valor de R$ 279 mil representa 30% do Fundo Eleitoral do PSL em Minas, o mínimo que um partido tem de destinar a candidatas mulheres. A suspeita de que havia um esquema laranja é porque, embora as quatro candidatas tenham sido privilegiadas na destinação da verba, tiveram votação pequena – de pouco menos de 2 mil votos juntas. Isso seria um indicador de que elas não disputaram a eleição efetivamente para ganhar, mas apenas para cumprir a cota mínima de mulheres candidatas. E, segundo a suspeita levantada pelo jornal, para supostamente beneficiar empresas ligadas a Marcelo Álvaro Antônio – que foi o deputado mais votado em Minas, com 230 mil votos.

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Candidata que recebeu R$ 65 mil fez apenas 196 votos

Uma das candidatas, Lilian Bernardino, recebeu do PSL R$ 65 mil e fez apenas 196 votos para deputada estadual.Segundo a Folha, R$ 14,9 mil foram destinados a duas empresas de comunicação de um irmão de Roberto Silva Soares, conhecido como Robertinho Soares, que foi assessor do gabinete de Álvaro Antônio e participou da coordenação da campanha do hoje ministro. Outros R$ 10 mil foram direcionados para uma gráfica de uma sócia do irmão de Robertinho. Houve também pagamento de R$ 11 mil à empresa de Mateus Von Rondon Martins, de Belo Horizonte, responsável pela divulgação do mandato de Álvaro Antônio e hoje assessor especial do Ministério do Turismo. A Folha não conseguiu contato com Lilian.

Outra candidata, Mila Fernandes recebeu R$ 72 mil do PSL e fez 334 votos a deputada federal. Da verba que recebeu, gastou R$ 4.900 com Mateus Von Rondon. Mila foi contatada pelo jornal, mas não quis explicar as funções de Von Rondon em sua campanha.

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Já Débora Gomes, candidata a deputada estadual que recebeu 885 votos, repassou R$ 30 mil da verba do PSL para empresas do irmão de Robertinho, R$ 10 mil para uma empresa da sócia dele e R$ 7.600 para Mateus Von Rondon. Débora negou ter sido laranja, mas não sou informar, por exemplo, o que Von Rondon fez em sua campanha.

A última candidata supostamente laranja, Naftali Tamar, disputou uma cadeira de deputada federal e fez 669 votos. Ela recebeu R$ 70 mil do PSL e destinou R$ 9.000 para Von Rondon. A Folha de S.Paulo não conseguiu localizar Naftali.

A reportagem cita ainda o caso de Cleuzenir Souza, que também foi candidata em Minas, fez 2.097 votos e recebeu R$ 60 mil de verba partidária. Ela não declarou à Justiça Eleitoral gastos com empresas ligadas ao ministro. Mas registrou um boletim de ocorrência em que acusa dois assessores de Álvaro Antônio de cobrar a “devolução” de R$ 30 mil.

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Ministro diz que reportagem tira suposições com base em premissas falsas

O ministro Marcelo Álvaro Antônio disse, por meio de sua assessoria, que “a distribuição do fundo partidário do PSL de Minas Gerais cumpriu rigorosamente o que determina a lei” e que “refuta veementemente a suposição com base em premissas falsas de que houve simulação de campanha com laranjas no partido”. “Fazer ilações sobre o valor gasto por qualquer candidato e a quantidade de votos que o mesmo conquistou é, no mínimo, subestimar a democracia e o poder de análise dos eleitores.” Na nota, ela ainda afirma que a contratação de empresas é de responsabilidade de cada candidato.

Von Rondon, hoje assessor especial do ministro do Turismo, afirmou fazer gestão de mídias sociais, geração de conteúdo, vídeos e peças gráficas. Ele disse que efetivamente trabalhou para as quatro candidatas. Robertinho Soares se recusou a falar.

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