Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
Álvaro Antônio nega as suspeitas levantadas pela reportagem. | Marcos Correa/PR
Álvaro Antônio nega as suspeitas levantadas pela reportagem.| Foto: Marcos Correa/PR

Reportagem publicada nesta segunda-feira (4) pelo jornal Folha de S.Paulo levanta a suspeita de que o deputado federal licenciado Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), hoje ministro do Turismo, patrocinou um esquema de candidaturas laranjas para direcionar verbas eleitorais a empresas e pessoas ligadas a seu gabinete na Câmara. Segundo o jornal, o PSL destinou no ano passado R$ 279 mil do Fundo Eleitoral para quatro candidatas a deputada em Minas Gerais que informaram ter contratado, com parte desse dinheiro (R$ 85 mil), serviços eleitorais de pessoas ligadas ao ministro ou empresas que pertencem a assessores, parentes ou sócios de auxiliares de Álvaro Antônio.

O valor de R$ 279 mil representa 30% do Fundo Eleitoral do PSL em Minas, o mínimo que um partido tem de destinar a candidatas mulheres. A suspeita de que havia um esquema laranja é porque, embora as quatro candidatas tenham sido privilegiadas na destinação da verba, tiveram votação pequena – de pouco menos de 2 mil votos juntas. Isso seria um indicador de que elas não disputaram a eleição efetivamente para ganhar, mas apenas para cumprir a cota mínima de mulheres candidatas. E, segundo a suspeita levantada pelo jornal, para supostamente beneficiar empresas ligadas a Marcelo Álvaro Antônio – que foi o deputado mais votado em Minas, com 230 mil votos.

LEIA TAMBÉM: Novo presidente do Senado é alvo de duas investigações no STF

Candidata que recebeu R$ 65 mil fez apenas 196 votos

Uma das candidatas, Lilian Bernardino, recebeu do PSL R$ 65 mil e fez apenas 196 votos para deputada estadual.Segundo a Folha, R$ 14,9 mil foram destinados a duas empresas de comunicação de um irmão de Roberto Silva Soares, conhecido como Robertinho Soares, que foi assessor do gabinete de Álvaro Antônio e participou da coordenação da campanha do hoje ministro. Outros R$ 10 mil foram direcionados para uma gráfica de uma sócia do irmão de Robertinho. Houve também pagamento de R$ 11 mil à empresa de Mateus Von Rondon Martins, de Belo Horizonte, responsável pela divulgação do mandato de Álvaro Antônio e hoje assessor especial do Ministério do Turismo. A Folha não conseguiu contato com Lilian.

Outra candidata, Mila Fernandes recebeu R$ 72 mil do PSL e fez 334 votos a deputada federal. Da verba que recebeu, gastou R$ 4.900 com Mateus Von Rondon. Mila foi contatada pelo jornal, mas não quis explicar as funções de Von Rondon em sua campanha.

SAIBA MAIS: Com pacote anticrime, Moro se prepara para “revanche” no Congresso

Já Débora Gomes, candidata a deputada estadual que recebeu 885 votos, repassou R$ 30 mil da verba do PSL para empresas do irmão de Robertinho, R$ 10 mil para uma empresa da sócia dele e R$ 7.600 para Mateus Von Rondon. Débora negou ter sido laranja, mas não sou informar, por exemplo, o que Von Rondon fez em sua campanha.

A última candidata supostamente laranja, Naftali Tamar, disputou uma cadeira de deputada federal e fez 669 votos. Ela recebeu R$ 70 mil do PSL e destinou R$ 9.000 para Von Rondon. A Folha de S.Paulo não conseguiu localizar Naftali.

A reportagem cita ainda o caso de Cleuzenir Souza, que também foi candidata em Minas, fez 2.097 votos e recebeu R$ 60 mil de verba partidária. Ela não declarou à Justiça Eleitoral gastos com empresas ligadas ao ministro. Mas registrou um boletim de ocorrência em que acusa dois assessores de Álvaro Antônio de cobrar a “devolução” de R$ 30 mil.

LEIA MAIS: As 5 crises enfrentadas por Bolsonaro no primeiro mês – e o que vem por aí

Ministro diz que reportagem tira suposições com base em premissas falsas

O ministro Marcelo Álvaro Antônio disse, por meio de sua assessoria, que “a distribuição do fundo partidário do PSL de Minas Gerais cumpriu rigorosamente o que determina a lei” e que “refuta veementemente a suposição com base em premissas falsas de que houve simulação de campanha com laranjas no partido”. “Fazer ilações sobre o valor gasto por qualquer candidato e a quantidade de votos que o mesmo conquistou é, no mínimo, subestimar a democracia e o poder de análise dos eleitores.” Na nota, ela ainda afirma que a contratação de empresas é de responsabilidade de cada candidato.

Von Rondon, hoje assessor especial do ministro do Turismo, afirmou fazer gestão de mídias sociais, geração de conteúdo, vídeos e peças gráficas. Ele disse que efetivamente trabalhou para as quatro candidatas. Robertinho Soares se recusou a falar.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]