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| Foto: NELSON ALMEIDA/AFP

O presidente da Odebrecht, Newton de Souza, distribuiu uma carta aos funcionários da empresa pedindo desculpa pelo constrangimento que os relatos dos delatores das empresas estão causado a eles e suas famílias. Ressaltou, porém, que essa etapa é “dolorosa”, mas que seria impossível reconstruir a empresa sem passar por ela.

“Esta etapa de tanta exposição negativa para a Odebrecht é dolorosa, mas necessária. Nós precisávamos passar por isso. Seria impossível reconstruir a empresa que queremos para o futuro sem enfrentar a realidade de fatos ocorridos anteriormente e que só agora vocês e a sociedade passaram a conhecer.

Peço desculpas aos nossos Integrantes pelos constrangimentos que os relatos dos colaboradores estão causando a vocês e às suas famílias”, diz o documento.

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A carta fala sobre os depoimentos das dezenas de executivos e ex-executivos da Odebrecht que foram tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal na semana passada e afirma que o conteúdo surpreende até mesmo os integrantes da empresa.

Relembra que este foi o compromisso da empresa ao assinar a colaboração com a Lava-Jato: reconhecer erros, pedir desculpas, pagar pelos crimes cometidos e indicar outros responsáveis com apoio de provas, além de reconstruir a empresa “em padrões de ética, integridade e transparência”.

“As revelações têm a profundidade agora demonstrada porque a Odebrecht ofereceu todas as condições para que os 77 colaboradores que prestaram depoimento à Justiça estivessem absolutamente tranquilos em relação à própria sobrevivência e à de suas famílias. Foi assim que puderam fazer os seus relatos com segurança e da forma mais ampla, detalhada e espontânea possível”, explicou.

A empresa comunicou ainda aos funcionários que a Justiça americana confirmou o acordo firmado com autoridades brasileiras, suíças e norte-americanas e que isso significa que “não há restrição de qualquer natureza para a atuação da Odebrecht nos Estados Unidos”.

“Atentem mais, por favor, para o conteúdo dos depoimentos. Eles exibem as nossas entranhas. Mas o conjunto de relatos também expõe ao público um retrato inédito da atuação de governantes e políticos no nosso país. Estamos fazendo a nossa parte para mudar esta situação”, diz a carta.

O documento enumera os passos que estão sendo dados para combate à corrupção dentro da empresa e afirma que desde março a empresa tem sido monitorada - inclusive nas movimentações financeiras e contábeis - por especialistas em indicados pelo Ministério Público do Brasil e da Suíça e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

“Não é uma jornada fácil, tampouco curta. Mas acredito que estamos na direção correta”, diz a empresa.

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