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Michel Temer: amigo e ex-assessor José Yunes foi apontado como administrador de supostas propinas para o presidente. | Marcos Corrêa/PR
Michel Temer: amigo e ex-assessor José Yunes foi apontado como administrador de supostas propinas para o presidente.| Foto: Marcos Corrêa/PR

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (29) dois amigos do presidente Michel Temer, o dono de uma empresa que supostamente pagou propinas a ele e um ex-ministro.

Foram levados pela PF na Operação Skala:

- o empresário e advogado José Yunes, que é amigo de Temer há mais de 50 anos e foi assessor dele

- o coronel João Batista Lima Filho, aposentado da Polícia Militar e dono da empresa de arquitetura e engenharia Argeplan, também amigo de Temer, próximo dele desde os anos 1980

- o empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos e supostamente seria beneficiada por medidas do governo. A PF vasculha a sede da companhia. Grecco foi preso em sua casa, em Monte Alegre do Sul (SP)

- o ex-ministro Wagner Rossi e seu auxiliar, Milton Ortolan. Rossi foi deputado federal e ministro da Agricultura nos governos Lula e Dilma, em 2010 e 2011. Antes, entre 1999 e 2000, presidiu a Codesp, administradora do Porto de Santos. Rossi foi preso às 6h em sua casa, em Ribeirão Preto (SP).

Yunes jantou com Temer na última segunda-feira (26), em encontro fora da agenda, segundo o jornalista Lauro Jardim, de “O Globo”. O advogado e empresário foi apontado por Lúcio Funaro – operador financeiro que no ano passado fechou acordo de delação premiada com a Lava Jato – como responsável pela administração de propinas supostamente pagas a Temer.

O coronel Lima, que vinha há meses adiando depoimentos à PF com justificativas de problemas de saúde, foi tirado de casa em uma ambulância e levado a um hospital de São Paulo. Lima Filho é apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), com base na delação da JBS, como suposto intermediário dessas propinas.

As prisões foram autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, relator do inquérito que investiga se Temer beneficiou empresas do setor portuário em troca de propinas.

A Polícia Federal informou que, por determinação do STF, “não se manifestará a respeito das diligências realizadas na presente data”. A decisão poderá ser revista pelo STF ao longo do dia após o cumprimento de todos os mandados.

Inquérito

Yunes e Lima Filho são citados em inquérito sobre o decreto dos portos que investiga Temer, o ex-deputado e ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR) – o homem da mala de R$ 500 mil – e um sócio e um diretor da empresa Rodrimar.

A investigação apura se Temer praticou os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Editado em maio do ano passado, o decreto suspeito ampliou de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessão e arrendamento de empresas que atuam em portos e permitiu que eles possam ser prorrogados até o limite de 70 anos.

Outro lado

A defesa de Yunes e Grecco disseram que a prisão é temporária, de cinco dias.

O advogado José Luis Oliveira Lima, que defende Yunes, disse ser “inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu a todos os atos para colaborar”. “Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania.”

A Toscano Sociedade de Advogados, que defende Wagner Rossi, afirmou que “são abusivas as medidas tomadas” contra seu cliente, e que ele “está seguro de que provará sua inocência". “Wagner Rossi aposentou-se há sete anos. Desde então, nunca mais atuou profissionalmente na vida pública ou privada. Também nunca mais participou de campanhas eleitorais ou teve relacionamentos políticos”, informou o escritório, em nota.

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