| Marcelo Camargo/Agência Brasil
| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Era quase meia-noite de quarta-feira (28) quando o último inscrito para falar na votação da reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o senador José Serra (PSDB-SP), pediu a palavra. Sentado na última fileira, ao lado de Renan Calheiros (PMDB-AL), o tucano se virou para o colega alagoano, que havia abandonado a liderança do PMDB naquele dia fazendo duros ataques ao presidente Michel Temer, e disse: “Em apenas um dia vi o senador Renan deixar a liderança do principal partido do governo para virar o novo líder da oposição”.

O plenário foi tomado de gargalhadas, mas o que ele disse é fato. Dizendo-se mais “leve” agora que deixou o comando de seu partido no Senado, Renan já deu mostras que vai ser um tormento na vida de Temer. Naquele dia foram pelo menos três discursos com críticas ao presidente.

Renan não tem mais cargo, mas continua exercendo alguma liderança, afinal foi o último presidente do Senado. Chegou a comparar a situação de Temer ao de Getúlio Vargas no final de seu governo, mas disse que isso não significaria que o presidente também iria dar um tiro no peito. São palavras fortes.

E ele não parou aí. Renan se comportou como um líder da oposição. Todos param para ouvi-lo com atenção. Disse ainda que não era marionete e bajulador do governo, que Temer não tem mais condição de continuar no cargo, que o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) mesmo preso tem poder de influência sobre o presidente e foi nessa toada.

Renan agora começa uma carreira independente. Seu mandato termina ano que vem e tem força para se reeleger em Alagoas, estado de uma região cuja rejeição ao atual governo é enorme. Como um opositor de Temer, suas chances de retornar para mais um mandato aumentam – isso se não for pego antes pela Lava Jato ou por outros processos que responde no Supremo Tribunal Federal.

“Lamento que esteja deixando a liderança. Sua competência, legitimidade e grande experiência vão fazer falta”, disse o senador Edison Lobão (PMDB-MA), presidente da CCJ.

Ao deixar a CCJ, ainda com a sessão acontecendo, Renan fez questão de se dirigir a quase todos os senadores. Foi à mesa e cumprimentou Lobão, mas passou batido por Romero Jucá, o líder do governo e agora um de seus inimigos declarados.

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