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A iminente delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, colocou Brasília em estado de alerta, com o potencial de atingir figuras do alto escalão dos Três Poderes, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A troca da equipe de defesa de Vorcaro, que agora conta com o advogado José Luiz de Oliveira Lima, o "Juca", especialista em acordos de colaboração, é vista como o passo decisivo para o que vem sendo chamado de "delação do fim do mundo".
Para o ex-procurador e comentarista Deltan Dallagnol, a relevância dos personagens envolvidos torna impossível uma delação que poupe o Judiciário. "Para uma delação acontecer, um tubarão do tamanho do Vorcaro tem que entregar um cardume de tubarões ou pessoas muito mais relevantes", afirmou Dallagnol, acrescentando que "delação do Vorcaro sem Supremo seria uma grande fraude". Segundo ele, o banqueiro enfrenta o "dilema do prisioneiro", pois outros envolvidos na investigação da Polícia Federal podem se antecipar e fechar acordos primeiro.
A análise dos bastidores aponta que os nomes dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estão no centro das atenções. Guilherme Kilter levantou uma hipótese sobre a estratégia política que poderia surgir de um eventual depoimento: "Me parece que entregar o Moraes seria meio que um boi de piranha (...), o Tofoli sai menos pior, faz o impeachment do Moraes e está resolvido o problema pro governo Lula, está resolvido para o STF". Kilter ressaltou ainda a robustez das provas que estariam nos celulares de Vorcaro, mencionando mais de 300 GB de dados.
A viabilidade jurídica dessa delação, contudo, depende do aval do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e da homologação pelo ministro relator, André Mendonça. Fabiana Barroso destacou o desafio ético e profissional para o novo advogado de Vorcaro diante do tribunal. "O Juca vai ter que fazer esse equilíbrio, vai ter que mensurar esse porque é o vai ou não vai, é o vai ou racha", comentou a analista, referindo-se ao risco de atingir a corte onde o advogado atua rotineiramente.
Enquanto a pressão sobre o tribunal aumenta, ministros buscam pautas que melhorem a imagem da corte perante a opinião pública, como a decisão monocrática de Flávio Dino sobre a aposentadoria compulsória de juízes e o discurso de "autocontenção" de Edson Fachin. Para Dallagnol, essas medidas são insuficientes diante da gravidade dos fatos: "O Supremo Tribunal Federal, envolvido até o pescoço no maior escândalo bancário financeiro da história do Brasil, está buscando lavar sua imagem atacando problemas morais periféricos". Segundo ele, as instituições estão promovendo um "moral washing" para desviar o foco do escândalo central que atinge o coração do Judiciário.
O programa Última Análise é ao vivo, de segunda a quinta-feira, a partir das 19h, no canal do YouTube, da Gazeta do Povo.







