
Ouça este conteúdo
No programa Última Análise desta quinta-feira (19), os convidados falaram a respeito das movimentações do Supremo Tribunal Federal (STF) para estancar a crise deflagrada pelo escândalo do Banco Master. Entre um suposto "acordão", falas duras em sessão e até embate com o Congresso Nacional, os membros do Judiciário revelam tensão. Já os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes parecem estar com a cabeça a prêmio.
"Estão tentando estancar a sangria e evitar o impeachment de algum ministro. Mas eles não sabem o tamanho do buraco em que estão. Eles respondem como se a crítica fosse à instituição e não a cada um dos juízes", avalia o escritor Francisco Escorsim.
Dentre os magistrados da mais alta corte do país, Toffoli se apresenta como o membro mais vulnerável e isolado dos outros. O ex-advogado do PT perdeu apoio até de seu cacique político, o presidente Lula (PT), que não demonstrou querer ajudar seu indicado.
"O povo quer sangue e a imprensa exige um nome, portanto, eles podem sacrificar alguém. O Toffoli, pela sua parceria, inclusive comercial, com Daniel Vorcaro, deve acabar sendo rifado. É a figura mais problemática do STF", avalia o editor de Ideias da Gazeta do Povo, Gabriel de Arruda Castro.
Choro e ameaça: a agitada sessão no STF
Em discurso durante sessão plenária, o ministro Gilmar Mendes homenageou os nove anos de Alexandre de Moraes no STF e não conteve a emoção. O decano da Corte chegou a afirmar que o Brasil tem uma "dívida" com Moraes e que as futuras gerações saberão reconhecê-lo devidamente.
Castro afirma que o discurso é "totalmente desconectado da realidade" e até mesmo constrangedor. "É difícil entender se os membros do STF são mesmo tão cínicos ou se estão agindo conforme seus interesses. Será que acreditam nesta ficção de que Moraes salvou a democracia?", ele questiona.
Outro declaração impactante foi a do ministro Flavio Dino, na mesma sessão. O magistrado defendeu a atuação do Judiciário e respondeu as críticas afirmando que "sem o STF, pode ficar pior".
"Nesta fala, Dino afirma que a República brasileira foi forjada por supostos 'homens fortes', sem os quais não haveria democracia. E, desta maneira, ele reafirma que este tempo não acabou e que as coisas continuarão assim. É uma interpretação sobre o futuro", avalia o professor da FGV Daniel Vargas.
Congresso Nacional reage
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), em tom de desabafo, criticou decisões judiciais que têm limitado a atuação da CPMI do Banco Master. "Desde quando cabe ao Judiciário estabelecer previamente o que pode ou não ser investigado por uma comissão parlamentar?", criticou o parlamentar.
Escorsim vê a declaração com bons olhos, sobretudo diante do papel institucional exercido. "O único órgão capaz de fazer algo e confrontar o estado de coisas é o Senado Federal. Ainda que seja pouco, começamos a ver isso mais claramente. Estão perdendo o medo em relação ao STF", ele elogia.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a sexta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.







