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Defesa

Advogado de Zambelli renuncia após cobrar promessa de apoio político

Fábio Pagnozzi atuou gratuitamente sob promessa de apoio, mas ex-deputada tentará eleger a mãe, Rita Zambelli.
Fábio Pagnozzi atuou gratuitamente sob promessa de apoio, mas ex-deputada tentará eleger a mãe, Rita Zambelli. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

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O advogado Fábio Pagnozzi renunciou ao mandato como advogado da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL). A renúncia foi protocolada nesta quinta-feira (17) na ação penal relatada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Uma fonte à par do caso relatou à Gazeta do Povo que Zambelli havia procurado Pagnozzi por ser um conhecido de seu marido, o coronel da reserva da Polícia Militar Antônio Aginaldo de Oliveira. A ex-deputada teria alegado que não tinha como pagar seus honorários. Propôs, então, um acordo: ele representaria a parlamentar em troca de apoio político.

Cartas de Zambelli a Fábio obtidas pela reportagem confirmam que a ex-deputada promedeu apoio ao advogado e que anunciaria a decisão a seu pai em janeiro de 2026.

"Aquele dia eu pedi para o Aginaldo te explicar que não cabia dizer ou anunciar sucessor, mas minha palavra com você está mantida", diz um trecho.

Pagnozzi é filiado ao Novo e disputará o cargo de deputado federal por São Paulo, mesmo cargo ao qual se lançou Rita Zambelli (PL), mãe de Carla, com seu apoio. Diante da cobrança, a ex-deputada teria decidido nomear Eduardo Maurício.

Em uma das cartas, Zambelli coloca em dúvida o desempenho eleitoral do Novo e menciona a candidatura de Rita, ainda prevista para o cargo de deputada estadual. Ela projeta que Pagnozzi teria 150 mil votos e sua mãe 250 mil, mas expressa incerteza quanto à permanência de Rita no PL. Em seguida, faz outra proposta:

"Seria bom você encontrar pessoalmente com ela e dizer que ela será chefe de gabinete e acertar os termos, o que acha?".

Em entrevista ao SBT News, o candidato tratou do tema:

"Trabalhei para Zambelli e o marido dela até hoje sem receber, por acreditar na causa. Venci os processos. Mas depois, me dei conta de que estava lidando com uma pessoa sem palavra, que não cumpriu com o combinado".

Na renúncia, Pagnozzi anexa notícias sobre a substituição para alegar um "intransponível óbice ético" e cita o Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Por meio de nota (leia na íntegra ao final), Eduardo Maurício afirmou que Pagnozzi distorceu os fatos. Ele alega que, na verdade, a atuação do antigo advogado só gerou as duas derrotas no Brasil (relembre abaixo), uma vez que as extradições estão sob responsabilidade da banca na Europa.

A versão de Maurício é de que a destituição ocorreu porque Fabio tentou impor o apoio político em troca de não divulgar informações pessoais, e ressaltou que o apoio de sua cliente pertence à mãe. O verdadeiro acordo seria, nesta versão, para atuar gratuitamente em troca de visibilidade.

Relembre o caso Zambelli

Mandado falso contra Moraes

Carla Zambelli foi condenada em 16 de maio de 2025 a 10 anos de prisão por contratar Walter Delgatti Neto, conhecido como "Hacker de Araraquara", para invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir um mandado de prisão falso que tinha como emissor e alvo a mesma pessoa: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Nove dias depois da condenação e antes do trânsito em julgado (encerramento) do processo, Zambelli deixou o Brasil. Ela viajou de carro até a região de Foz do Iguaçu (PR), cruzou a fronteira rumo a Puerto Iguazú, na Argentina, e seguiu para Buenos Aires, de onde embarcou para Miami e, por fim, para a Itália.

No dia 7 de junho, Moraes pediu a extradição da ex-deputada ao governo italiano. Ela foi presa no país europeu pouco mais de 50 dias depois, por ter sido incluída na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

A Corte de Apelação de Roma chegou a concordar em entregar Zambelli às autoridades brasileiras. A decisão, no entanto, foi revertida pela instância superior, a Corte de Cassação.

Os magistrados italianos entenderam que houve uma “macroscópica violação” da garantia de imparcialidade objetiva. A Corte considerou, entre outros elementos, que Moraes figurava como pessoa atingida pelos fatos, atuou como relator, participou da análise sobre sua própria incompatibilidade, expediu o mandado de prisão e formulou o pedido de extradição. O pedido brasileiro foi rejeitado definitivamente nesse processo.

Perseguição armada em São Paulo

No dia 29 de outubro de 2022, véspera do segundo turno das eleições de 2022, Zambelli foi filmada perseguindo um homem com uma arma de fogo. O episódio lhe rendeu outra condenação em 22 de agosto de 2025, a 5 anos e 3 meses.

Em agosto, o relator, ministro Gilmar Mendes, somava este ao outro caso de extradição que já estava em trâmite. Neste caso, a Corte de Cassação também reverteu a decisão desfavorável da instância inferior, mas não encerrou o caso, determinando que haja um novo julgamento.

Diferentemente do processo do CNJ, a Corte de Cassação rejeitou as alegações de perseguição política e de parcialidade do STF. O principal problema apontado foi outro: as autoridades brasileiras não apresentaram informações suficientemente concretas sobre a capacidade da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, de garantir o acompanhamento médico contínuo e especializado necessário à ex-deputada.

Nota de Eduardo Maurício

Eduardo Mauricio lamenta a nota concedida pelo colega advogado Fábio Pagnozzi. Na verdade Mauricio afirma que Pagnozzi não venceu nenhum processo diferente do que alegado pelo advogado, quem venceu foi o advogado italiano Pieremilio Sammarco, já que Pagnozzi sequer é advogado na Europa ou na Itália e não possui legitimidade e poderes para exercer a advocacia na Itália onde houve a decisão que recusou a extradição da ex-parlamentar ao Brasil. E nos 2 processos principais que Pagnozzi atuou em nome de Carla, na verdade, a ex-parlamentar foi condenada em penas altas, desproporcionais com processos que necessitam de revisão criminal para serem supridos os erros e lacunas não abordadas pela defesa na época.

Maurício também ressalta que a relação profissional de advogado cliente foi rescindida por Carla em virtude da quebra de confiança, sobretudo pela imposição de apoio político por parte de Pagnozzi em troca de não divulgar informações pessoais e particulares do caso, o que afronta o próprio dever de sigilo previsto no Estatuto da Advocacia que todo advogado é obrigado a cumprir, ferindo a ética profissional. Importante salientar que Carla Zambelli apoia exclusivamente a sua mãe, candidata Rita Zambelli.

Ao final, Eduardo Mauricio, novo advogado de Carla Zambelli repúdia a nota distorcida prestada por Fábio Pagnozzi, pois não existe valores de honorários em aberto, muito pelo contrário, Pagnozzi se colocou à disposição para atuar de forma pró-bono em troca de aparecer na mídia e conceder entrevistas, o que foi cumprido por parte da ex-deputada.

Ao final, o novo advogado de Carla Zambelli destaca que o exercício da advocacia criminal deve estar pautada no fato de o operador do direito prezar pelo cumprimento da lei e atuação técnica jurídica, e não colocar a necessidade de aparecer na mídia acima da busca da verdade real dos fatos e garantia à ampla defesa, contraditório e devido processo legal.

Ao final, Maurício salienta que Pagnozzi foi rápido em conceder uma nota distorcida da realidade ofendendo a honra e decoro da ex-parlamentar, porém até o momento não respondeu a comunicação de destituição e revogação do mandato, e muito menos informou detalhadamente os números de processos e estágio atual dos casos em que advogou para a ex-deputada, demonstrando mais uma vez o seu único interesse: aparecer na mídia.

Atualização

Incluímos a nota de Eduardo Maurício e informações sobre as cartas de Carla Zambelli.

Atualizado em 18/09/2026 às 12:01

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