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Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) justificaram, nesta terça-feira (27), que a viagem do parlamentar aos Estados Unidos mais cedo ocorreu por um exílio político decorrente do que seria uma “perseguição” promovida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A viagem de Flávio com a família ao país norte-americano ocorreu durante a madrugada, segundo confirmado à Gazeta do Povo por fontes ligadas à Polícia Federal e aliados próximos ao senador, após Moraes decretar a apreensão de seus passaportes. Ele teria saído do Brasil através da Argentina, embora o governo de Javier Milei não confirme a passagem do parlamentar pelo país.
Flávio Bolsonaro responde a três investigações no STF envolvendo, entre outros casos, supostas relações com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, e com o advogado Willer Tomaz, de quem é amigo pessoal e apontado como "usuário master" de uma conta bancária de uma empresa que teria sido utilizada para lavar dinheiro.
Entre os primeiros aliados que confirmaram a saída de Flávio do Braisl está o deputado federal Maurício Marcon (PL-RS), que afirmou que o senador “ruma ao exílio”.
“Assim como María Corina Machado (líder da oposição na Venezuela), Flávio Bolsonaro, o candidato derrotado nas eleições também busca exílio em outro país. [...] O Flávio conseguiu estar no exílio, vai nos representar num país livre, seguirá sendo o nosso líder assim como [o ex-presidente] Jair Bolsonaro”, afirmou.
Marcon afirmou que Flávio precisou deixar o país após a ordem de Moraes para apreender seus passaportes e pressioná-lo a votar pela reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem evitado abrir processos de impeachment contra o ministro. O ato de Flávio, afirma, confirma a necessidade dos demais senadores da oposição votarem em Rogério Marinho (PL-RN) na eleição à presidência do Senado no ano que vem.
“Agora, senadores que têm compromisso com o impeachment de Alexandre de Moraes, que estavam meio titubeantes em votar em Alcolumbre ou em Marinho, não precisam mais ter dúvida nenhuma. O plano [de Moraes] era: ou vocês votam no Alcolumbre, ou eu prendo o Flávio”, afirmou.
O mesmo posicionamento foi adotado pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), também aliado muito próximo de Flávio Bolsonaro, que pediu aos senadores que sigam no apoio a ele e a Rogério Marinho.
“Querem intimidar a oposição, querem intimidar os senadores. [...] Se Flávio Bolsonaro fugiu, ele fez certo. Precisamos garantir a presidência do Senado Federal. A responsabilidade dos senadores eleitos aumentou muito”, disse citando que, se Flávio tivesse sido eleito presidente, teria pacificado o país junto da maioria de direita eleita para o Congresso.
Carlos Jordy afirma que a derrota de Flávio afetou diretamente este projeto e que Alcolumbre já estaria “cooptando” senadores para ser reconduzido ao cargo no ano que vem e continuar barrando os processos de impeachment de Moraes.
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O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) também considerou que a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos frustrou os supostos planos de Moraes com Alcolumbre, afirmando que o ministro “perde sua principal arma”.
“O medo de uma prisão vira pressão para que a direita recue, que não faça impeachment. Entendem aonde que o Moraes quis chegar”, questionou.
Outros parlamentares foram mais contidos, como o deputado eleito Lucas Pavanato (PL-SP), que classificou a ordem de Moraes contra Flávio como “o Brasil venezuelou”. “Perseguido pelo Supremo Tribunal, Flávio deixa o país. [...] Ainda há quem não veja motivo para se preocupar com os rumos da nossa democracia”, questiona a deputada Caroline de Toni (PL-SC).








