Após carta, brasileiros gravam apelo a Bolsonaro por retirada da China
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Um grupo de brasileiros que está na cidade de Wuhan, epicentro do coronavírus na China, e que no sábado (01) enviou uma carta ao presidente Jair Bolsonaro pedindo para que sejam retirados do país asiático, divulgou um vídeo neste domingo (2) reforçando o apelo por ajuda.

No vídeo publicado no YouTube os brasileiros citam retiradas já feitas por diversos países. Alguns dos que aparecem na gravação ainda estão em Wuhan, na província de Hubei, local de origem do surto, e outros já deixaram a região.

O apelo também é dirigido ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Henrique Fraga Araújo.

“Como é do conhecimento de todos, existe uma ameaça de epidemia de coronavírus cujo epicentro é a cidade chinesa de Wuhan, na província de Hubei. De modo a proteger seus cidadãos desse risco, diversos países já estão se organizando para retirá-los da cidade de Wuhan em cooperação com o governo local. Esperamos que, como Presidente da República Federativa do Brasil e na qualidade de representante máximo da diplomacia brasileira, vossas Excelências nos deem todo o apoio de que precisamos neste momento de dificuldade”, diz um dos brasileiros.

“Cidadãos dos Estados Unidos, Itália, França, Reino Unido e Japão já foram retirados de Wuhan e já chegaram a seus países. Isso demonstra, portanto, que o governo chinês está aberto a esse tipo de ação e que não há impedimento formal para a retirada de estrangeiros”, diz outro.

O grupo de brasileiros afirma ainda que não tem nenhum caso entre eles de contaminação comprovada pelo coronavírus. Eles afirmam também, no vídeo, que estão dispostos a cumprir o período em um local seguro fora do Brasil.

Na terça-feira (28), o presidente Jair Bolsonaro disse que não era "oportuno" retirar os brasileiros da China. Na sexta-feira (31), acrescentou que o governo brasileiro ainda não tinha planos definitivos de resgatar brasileiros que se encontram na China. O presidente afirmou que a ausência de uma lei sobre quarentena é um dos obstáculos. “O grande problema que nós temos pela frente, nós não temos uma Lei de Quarentena. Trazer brasileiro para cá, é nossa ideia obviamente coloca-los em quarentena, mas qualquer ação judicial os tira de lá e aí seria uma irresponsabilidade”, argumentou.

Bolsonaro mencionou ainda os custos envolvidos em uma operação de repatriamento de brasileiros. Afirmou que um voo fretado pode custar até US$ 500 mil (R$ 2,1 milhões). "Pode ser pequeno para o tamanho do orçamento brasileiro, mas precisa de aprovação do Congresso", disse a jornalistas.

Quarentena

O agravamento do surto de coronavírus levou o governo chinês a decretar uma espécie de quarentena na região de Wuhan. Pela decisão das autoridades chinesas, não é possível deixar a região sem autorização expressa do governo.

Apesar de os brasileiros afirmarem que não há dificuldade para o governo chinês liberar a saída deles, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, declarou à BBC Brasil que essa decisão das autoridades chinesas é um impedimento. “É preciso negociar com o governo chinês primeiro, para que deixe sair os brasileiros, mas não é uma coisa óbvia e imediata também", disse.

A afirmação do grupo de brasileiros de que cidadãos de outros países têm sido retirados se confirma. Neste domingo (02), por exemplo, está previsto o voo de 11 cidadãos britânicos da China para a França e, da França, para o Reino Unido, segundo a BBC. Eles vão se juntar a outros 83 cidadãos do país que foram evacuados e estão em quarentena. Cerca de 100 cidadãos alemães também foram levados para a casa.

Outros países, como Alemanha, Austrália, Coreia do Sul, Estados Unidos, Espanha, Filipinas, França, Índia e Japão já retiraram seus cidadãos ou iniciaram trâmites para fazê-lo. Os Estados Unidos evacuaram 195 cidadãos americanos, que foram colocados em quarentena em uma base militar na Califórnia.

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