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Auditoria que nega caixa-preta do BNDES não tira o banco da briga política
Sede do BNDES: banco continua no centro de briga política, apesar da auditoria que nega a existência de caixa-preta.| Foto: André Telles/Divulgação BNDES

Desde a campanha eleitoral de 2018, Jair Bolsonaro promete "abrir a caixa-preta" do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e mudar a forma como a instituição concede financiamentos. O banco já desembolsou R$ 48 milhões em uma auditoria, mas não encontrou irregularidades.

Apesar disso, dados divulgados pelo próprio BNDES mostram que, entre janeiro e setembro do ano passado, o número de financiamentos aprovados e de desembolsos de fato diminuiu. Entre os setores prejudicados com a gestão mais rígida, porém, está o de saneamento básico – considerado uma prioridade pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

As informações consultadas pela Gazeta do Povo constam no portal da transparência do banco. Os dados de todo o ano serão divulgados somente no dia 30 de janeiro – por isso, a reportagem comparou somente os valores de janeiro a setembro de 2019 com os do mesmo período de 2018. Todos os dados de 2018 foram atualizados pela inflação.

De acordo com o levantamento, o valor dos contratos aprovados pelo BNDES caiu 37,5% em relação a 2018. No total, entre janeiro e setembro de 2019, o banco aprovou financiamentos que somam R$ 32,3 bilhões, frente a R$ 51,6 bilhões no mesmo período do ano anterior.

A maior queda no valor aprovado foi nos financiamentos destinados a grandes empresas, que registraram R$ 10,3 bilhões em 2019, frente a R$ 26 bilhões em 2018 (60,3%). Já para as médias empresas, o valor aprovado caiu de R$ 13,9 bilhões para R$ 10,8 bilhões (22%). Micro e pequenas empresas tiveram queda menor, de 10% e 2%, respectivamente.

Proporcionalmente, as aprovações diminuíram mais no setor de transporte aéreo, que quase não teve contratos aprovados em 2019. No ano anterior, foram R$ 95 milhões autorizados.

O segundo setor em que mais houve redução nos contratos aprovados foi o de água, esgoto e lixo, com queda de 86% – de pouco mais de R$ 1 bilhão para R$ 141,7 milhões em 2019. Os setores de celulose e papel; e de veículos, reboque e carroceria também tiveram queda significativa, de 70% e 79%, respectivamente.

Por outro lado, o setor de metalurgia teve valor aprovado quase oito vezes maior do que o registrado em 2018 – passou de R$ 51 milhões para R$ 383,9 milhões. A autorização de financiamentos para as áreas de máquinas e aparelhos elétricos (61%), bebidas (54,6%) e farmacêutica (48,5%) também cresceram.

Para quais setores foram os desembolsos do BNDES?

A aprovação dos contratos pelo Comitê de Crédito e Operações do BNDES é a fase anterior à contratação, em que são verificadas as condições e ocorre a formalização do financiamento.

Depois de firmado o contrato, inicia-se a fase do acompanhamento, em que são realizados os desembolsos relativos ao montante autorizado.

Em 2019, até setembro, o valor desembolsado caiu 15,9% em relação a 2018. A maior redução foi no valor destinado a microempresas, que diminuiu de R$ 824,9 milhões para R$ 576,2 milhões.

No caso dos desembolsos, o setor mais afetado foi o de informação e comunicação (abrigado no guarda-chuva de comércio e serviços), que teve queda de 90,5% – de R$ 781 milhões para R$ 74 milhões.

Por outro lado, alguns setores da indústria de transformação tiveram aumento nos desembolsos. As áreas de metalurgia (191%), gráfica (172%), química (132%) e de coque, petróleo e combustível (72%) foram as que tiveram maior aumento.

Quais foram as empresas que tiveram o maior valor contratado – e mais recursos recebidos

Os dados disponibilizados pelo BNDES mostram, ainda, que a Klabin foi a empresa que firmou o contrato de maior valor com o banco nos nove primeiros meses do ano passado, de R$ 3 bilhões. O montante é destinado à ampliação de uma fábrica da companhia, na região de Ortigueira, no Paraná.

Já a que recebeu mais recursos foi a Diamantina Eólica. O dinheiro foi destinado à implantação de um parque eólico na cidade de Caetité, na Bahia. O valor total do financiamento, de R$ 360 milhões, já foi desembolsado.

Vale salientar que alguns contratos aparecem duas vezes no banco de dados do BNDES, reproduzido no infográfico abaixo. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do banco para entender os motivos da duplicação, e aguarda retorno.

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