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Pesquisas Bolsonaro
Avaliação do governo Bolsonaro está em queda, segundo pesquisas recentes. Mas nada que atrapalhe o projeto de reeleição em 2022, dizem bolsonaristas.| Foto: Isac Nóbrega/PR

Pesquisas eleitorais que medem a intenção de voto para a corrida presidencial de 2022 mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com desempenho melhor que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Há empate técnico entre eles no primeiro turno e, no segundo, o petista leva a melhor.

Bolsonaro vê o crescimento do rival acompanhado de um aumento da rejeição ao seu trabalho. Tanto a avaliação positiva do governo quanto a aprovação do desempenho de Bolsonaro à frente da presidência da República tiveram queda, de acordo com a pesquisa XP/Ipespe divulgada no dia 5.

O panorama, porém, não preocupa os bolsonaristas. Apoiadores do presidente avaliam que o crescimento de Lula e a piora dos números de Bolsonaro se devem a uma mescla de um desgaste habitual no cargo, resultado de uma "narrativa" contra a conduta do presidente e também ao que consideram ser uma "memória distorcida" que a população teria dos períodos em que o PT esteve na Presidência da República.

"Nós temos que apresentar resultado. Fazer com que a memória do eleitor não seja tão fraca a ponto de esquecer o que foi o governo do PT. Naquela época, apesar de alguns avanços que eles alcançaram por conta do cenário econômico global, houve saques ao país, saques às estatais, loteamento de ministérios e um grande retrocesso", declarou o deputado federal Júnio Amaral (PSL-MG).

O parlamentar também disse considerar "superdimensionado" o aumento da reprovação ao governo Bolsonaro. "Reconheço que existe uma parcela da sociedade que votou no Bolsonaro e não está satisfeita. Mas aí há dois grupos: um que é volátil, e que pode voltar a apoiar o presidente; e outro em que existe uma superdimensão, que não é tão grande quanto parece", apontou.

Um dos principais apoiadores de Bolsonaro em São Paulo, o deputado estadual Douglas Garcia (PTB) afirmou que, em sua opinião, o presidente "leva com tranquilidade" a reeleição no ano que vem. "Bolsonaro conquistou o Nordeste com obras como a transposição do São Francisco. E aqui em São Paulo, ele nunca teve dificuldade", disse. Na eleição de 2018, Bolsonaro recebeu 53% dos votos válidos em São Paulo no primeiro turno e 68% no segundo.

Na mão oposta, o líder do PT na Câmara, deputado Bohn Gass (RS), também vê seu candidato como favorito para a disputa. "O Lula tem crescido em todas as pesquisas, e vai continuar crescendo. Isso é o resultado da identificação que ele tem com o povo".

Segundo Gass, "Bolsonaro está perdendo sua base e ainda não sabemos quais serão os desdobramentos da CPI [da Covid]. Vamos responsabilizar o presidente pelo caos que ele criou neste país".

Estratégia sobre segmentos é descartada por bolsonaristas

As duas pesquisas mais recentes que mostram os resultados positivos para o PT e negativos para o bolsonarismo foram produzidas por XP/Ipespe, divulgada no dia 5, e pelo PoderData, divulgada no dia 14. O levantamento da XP indicou Lula com 29% das intenções de voto no primeiro turno e Bolsonaro, com 28%. Já no segundo turno o petista tem 42% contra 38% do atual chefe do Executivo.

Na pesquisa do PoderData, há também proximidade no primeiro turno, com 34% para Lula e 31% para Bolsonaro. Porém, no segundo a dianteira de Lula é significativa: 52% contra 38%. A pesquisa fez também simulações de segundo turno de Bolsonaro contra Luciano Huck (sem partido), João Doria (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (sem partido). O presidente não venceu em nenhum dos cenários; perdeu para Huck e empatou tecnicamente com os demais.

A pesquisa PoderData também segmentou o eleitorado em diferentes faixas, como sexo, idade, local de residência e renda. Na simulação entre Lula e Bolsonaro, o presidente venceu o petista em apenas dois grupos: entre os homens e entre as pessoas com renda superior a 10 salários mínimos.

O deputado Júnio Amaral avalia que os resultados não devem motivar os apoiadores do presidente a direcionarem campanhas específicas aos setores que, hoje, não estão apoiando Bolsonaro. "Não deve existir uma estratégica para avançar categoricamente sobre estes grupos. É apresentar resultado", disse.

Já o deputado estadual Douglas Garcia contesta os números das pesquisas: "não acho que isso seja verdade. Vim da favela, fiz minha campanha baseado no Bolsonaro e vejo que a maior parte das pessoas de lá é conservadora".

Metodologia das pesquisas

A XP/Ipespe realizou 1.000 entrevistas de abrangência nacional nos em 29, 30 e 31 de março. Já o PoderData fez 3.500 entrevistas em 512 municípios, nas 27 unidades da federação.

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