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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), dobrou a aposta nesta sexta-feira (27), após ter recebido uma notificação extrajudicial da Uber do Brasil pedindo que prove suas insinuações de corrupção de agentes públicos. Boulos falou em nome do governo Lula, dizendo que a gestão não vai se “intimidar” nem “recuar” pela advertência, que vale como um aviso de possível processo.
“Podem ameaçar processar à vontade. O Governo do Brasil não vai recuar em defender os motoristas de aplicativo e nem se intimidar por ameaças de uma empresa estrangeira. Aqui não!”, escreveu ele no X.
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A Uber enviou na quinta-feira (26) uma notificação extrajudicial a Boulos desmentindo declarações públicas que, na visão da empresa, sugeririam a corrupção de agentes políticos em nome dos interesses da plataforma. O app de caronas remuneradas fundamentou sua notificação em dois vídeos publicados recentemente pelo ex-ativista.
Desconto de “50%”
Um dos pontos em que Boulos bate há meses, e voltou a bater nesta sexta, é a suposta prática dos descontos sobre corridas, que, segundo motoristas citados pelo ministro, chegariam a 50%. Boulos aposta alto na pauta dos aplicativos como uma das bandeiras do governo em ano eleitoral. Sempre que tem espaço público, Boulos fala sobre a tentativa do governo de regulamentar o mercado de aplicativos e compara o tema ao da redução da jornada de trabalho sem corte de salário, sempre enfatizando o ganho das empresas.
“A UBER me enviou uma notificação pelas críticas que fiz à empresa, que fica com até 50% do valor das corridas como ‘taxa de retenção’, voltou a acusar Boulos nesta sexta. O percentual de 50% é contestado pela representante das empresas, que afirma haver uma flutuação neste desconto, em função de variáveis do negócio.
“Em relação ao transporte de passageiros, não procede a afirmação de que os aplicativos ficam com 50% do valor das corridas. Esse percentual não é fixo, e a versatilidade no valor de retenção busca otimizar o equilíbrio entre oferta e demanda. Existem ocasiões em que o percentual de retenção vai a 0%. Exemplo: em corridas com menor adesão de motoristas, as plataformas diminuem a retenção para que haja aumento do ganho dos trabalhadores e incentivo ao atendimento do consumidor”, escreveu Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), em nota divulgada nesta quarta-feira.
A Gazeta do Povo apurou que aliados do presidente Lula têm reclamado da insistência do ministro em tabelar o valor da entrega por entenderem que isso deve encarecer o serviço ao consumidor final e afetar a popularidade do governo.








