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Cai a máscara dos “defensores da democracia” no Brasil

Durante sete anos de vacas magras, desde a inauguração do inquérito das fake News, os brasileiros foram engambelados com a conversa de que os ministros do STF bloqueavam perfis, censuravam reportagens, prendiam cidadãos comuns e parlamentares, tudo em nome da “defesa da democracia”. Deveríamos agradecer, e não criticar, os desmandos, abusos e deslizes necessários no curso do inquérito de exceção para preservar o Estado de Direito.

Aplicaram condenações esdrúxulas e penas reservadas a homicidas a centenas de manifestantes do 8 de janeiro, ao ex-presidente da República e a auxiliares diretos. Tudo justificado pela necessidade imperiosa de afastar qualquer tentativa de disrupção da ordem constitucional.

Qual a surpresa, pois, quando os fatos tornam cada vez mais evidente que, na verdade, os supostos heróis e guardiões democráticos estavam enrolados no maior escândalo de corrupção do sistema financeiro nacional? E que familiares desses ministros de toga foram destinatários de depósitos milionários, por meio de consultorias e negócios mantidos na surdina?

Heróis de ontem, na verdade, eram vilões

A cortina, contudo, caiu. Disparou o número de brasileiros que não confia no STF. E que não consegue “passar pano” para relações impróprias envolvendo ministros, empresários e montanhas de dinheiro. Não é que os heróis de ontem tenham subitamente se transformado em vilões. Na verdade, suspeita-se, nunca houve heroísmo, apenas a determinação de concentrar poderes e afastar vozes incômodas contra a grande “Turma” e sua locupletação.

Nessa caminhada dos sete anos de vacas magras, o tal inquérito das fake News normalizou censura de reportagens, bloqueio de perfis em redes sociais, quebras de sigilo e prisões arbitrárias. Da dona de casa, passando pelo deputado e o ex-presidente, ninguém escapou. Para prender um parlamentar, Alexandre de Moraes inventou até um tal de “flagrante perpétuo”. Por essa inovação jurídica, um vídeo publicado na internet com “ataques à Corte” continuaria produzindo crime a cada nova visualização. Mesmo diante da imunidade parlamentar prevista na Constituição.

Para não serem presos, críticos e testemunhas dos desvios da Corte deixaram o país. Como a ex-juíza Ludmila Lins Grillo, os comentaristas Rodrigo Constantino, Paulo Figueiredo, Monark e Allan dos Santos, o ex-assessor de Moraes Eduardo Tagliaferro, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Despertar da mídia: antes tarde do que nunca

Enquanto a tarrafa pescava jornalistas, influenciadores, deputados e manifestantes do 8 de janeiro — sob o pretexto de salvar o Estado de Direito —, ministros do STF e outros figurões da República usufruíam de generosos contratos de consultoria e negócios da China com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, envolvido na maior fraude bancária do país. Contratos de consultoria milionários (incluindo R$ 129 milhões para a esposa de Moraes), grana alta por um resort da família de Dias Toffoli, jantares de luxo, viagens em jatinhos e decisões judiciais protetivas revelam o que realmente estava em jogo.

A grande mídia, que aplaudiu o arbítrio contra Bolsonaro e seus apoiadores, agora se demonstra surpresa. Menos mal que caiu a ficha. E que há clamor contra os abusos e a impunidade do colarinho branco. Mas, como se diz por aí, "com sete anos de atraso, faça-me o favor".

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