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No programa Última Análise desta quinta-feira (29), os convidados falaram a respeito do contrato que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria fechado no valor de, pelo menos, R$ 303,6 milhões com o Ministério da Saúde para o fornecimento de insulina. A transação foi realizada através da Biomm, uma empresa de biotecnologia que tem um dos fundos da instituição financeira como sócio.
"Esse caso do Banco Master é o fim da república brasileira, porque o que está acontecendo é tudo, menos republicano. Estamos vendo o 'capitalismo de compadrio' no favorecimento de empresários, que ganham acesso aos órgãos do governo", critica a cientista política Júlia Lucy.
De acordo com uma apuração publicada pelo portal Poder360, o fundo de investimentos Cartago, vinculado ao Banco Master, tem 25,86% da Biomm, junto do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia (8,24%) e do BNDESPar, braço do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, para participações em empresas privadas, com 5,12%. Portanto, o fundo de Vorcaro é o maior acionista único na empresa.
Para o professor da FGV Daniel Vargas, o caso Banco Master ultrapassa a questão ideológica e é um problema estatal. "Não se trata mais de direita contra esquerda, porque agora estamos vendo um problema do Estado brasileiro. A república está sendo sussurrupiada em um conjunto de escâdalos em cascata", afirma.
Kassab provoca bolsonarismo
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), não pode adotar uma postura de submissão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que o fez ser conhecido politicamente. Kassab sinalizou a intenção de lançar um candidato próprio nas próximas eleições.
"Bolsonaro o fez o governador. E a base de apoio de Tarcísio é o bolsonarismo. Ou seja, uma traição ao ex-presidente significaria a destruição da vida política do governador. E o povo não gosta de traidor", avalia o ex-juiz de Direito Adriano Soares da Costa.
A solução para caso cachorro "Orelha"
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou um vídeo nesta quarta-feira (28), em seu perfil no X, pedindo "justiça por Orelha" e defendendo a redução da maioridade penal para 16 anos. No dia 4 de janeiro, o cachorro comunitário de Florianópolis (SC) foi agredido por quatro adolescentes e levado em estado grave a um hospital veterinário. No dia seguinte, ele foi sacrificado, devido à gravidade dos ferimentos.
Vargas concorda com a proposta de Nikolas e lembra que o caso brasileiro é exceção no mundo. "Poucos países do mundo hoje estabelecem o limite de 18 anos como uma condição. A maioria tem limites da maioridade penal que são significativamente inferiores ao estabelecido no Brasil", lembra ele.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a sexta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.



