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A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu nesta segunda-feira (23) processos administrativos disciplinares contra dois servidores do Banco Central investigados por suspeita de envolvimento com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado banco Master. Os alvos são o ex-diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio de Souza Neves, e o ex-chefe de Supervisão Bancária, Belline Santana, que teriam recebido propina do empresário para fornecer informações privilegiadas da autoridade monetária.
Segundo apuração da Gazeta do Povo, os processos podem levar à expulsão dos servidores ao fim da apuração. A decisão da CGU foi tomada com base em informações compartilhadas pelo próprio Banco Central após uma auditoria interna que já havia levado ao afastamento dos dois servidores em janeiro.
As provas apuradas pela investigação indicam que Vorcaro buscava orientações estratégicas com os servidores sobre reuniões institucionais, elaboração de documentos e condução de temas sensíveis dentro do Banco Central. Em uma das mensagens analisadas, o empresário chega a parabenizar Paulo Sérgio pela nomeação a um cargo de chefia, o que reforça a proximidade entre eles.
O ministro André Mendonça, relator dos processos referentes ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que Paulo Sérgio atuava como “uma espécie de empregado/consultor” em assuntos privados ligados a Vorcaro. Na decisão que levou à deflagração da terceira fase da operação Compliance Zero, no começo do mês, o magistrado ressaltou que Vorcaro tinha contato direto com os dois servidores através de um grupo em um aplicativo de mensagens.
Além dos pagamentos investigados, há indícios de benefícios indiretos oferecidos ao ex-diretor, incluindo apoio em viagens internacionais.
“Outro forte indício de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio” aparece em mensagens nas quais o empresário comenta que precisaria “arrumar guia para essas pessoas” durante uma viagem do servidor à Disney, em Orlando, nos Estados Unidos. Segundo Mendonça, também há indícios de que o ex-diretor tenha repassado informações internas do Banco Central relacionadas a movimentações financeiras consideradas suspeitas.
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A investigação chegou a eles após o Banco Central compartilhar informações com a Policia Federal, entre elas o cruzamento de dados de documentos e dos aparelhos celulares apreendidos com os alvos da operação.
“Belline, por exemplo, também foi instado por Vorcaro a emitir opinião sobre um ofício que o Banco Master enviaria ao Departamento que ele próprio chefiava no Bacen (Banco Central)”, escreveu o ministro na decisão que levou à operação contra os dois servidores.
Também se registrou que Daniel Vorcaro coordenou a articulação de mecanismos destinados a remunerar os dois servidores “a título de contraprestação pela ‘assessoria’ privada que forneciam”.












