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Ex-ministro do GSI

Comissão de Ética Pública da Presidência abre processo contra Augusto Heleno

Comissão de Ética Pública da Presidência abre processo contra Augusto Heleno
Comissão de Ética Pública apura declarações de Heleno em reunião ministerial de julho de 2022. (Foto: Ton Molina/STF)

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A Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da República instaurou um processo de apuração contra o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno. A decisão, tomada por unanimidade em 15 de dezembro de 2025, foca em manifestações do ex-ministro durante a reunião ministerial de 5 de julho de 2022.

Nesta sexta-feira (9), o presidente da CEP, Bruno Espiñera Lemos, pediu autorização ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para notificar pessoalmente o general, que cumpre prisão domiciliar humanitária.

Durante a reunião ministerial, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) questionou a segurança do sistema eleitoral. Já Heleno mencionou que, junto com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), teria montado um “esquema” para "acompanhar o que os dois lados estão fazendo" durante as eleições.

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Além disso, o ex-ministro afirmou que "não tem VAR nas eleições" e que qualquer ação necessária, como "dar soco na mesa" ou "virar a mesa", deveria ocorrer antes do pleito.

“Acho que as coisas têm que ser feitas antes das eleições. E vai chegar um ponto em que nós não vamos poder mais falar, nós vamos ter que agir: agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas. Isso para mim é muito claro. Só isso”, disse o chefe do GSI à época.

Segundo presidente da Comissão, a notificação é essencial para garantir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, permitindo que o interessado apresente seus esclarecimentos e provas documentais no prazo de dez dias úteis após ser cientificado.

O relator do caso na CEP, conselheiro Manoel Caetano Ferreira Filho, destacou que tais falas indicam um possível desvio de finalidade, voltado a reforçar a retórica de fraudes eleitorais.

A investigação busca verificar se Heleno violou o Código de Conduta da Alta Administração Federal, especificamente o Artigo 3º, que exige que autoridades pautem-se por padrões de integridade, moralidade e decoro para manter a confiança do público.

Heleno foi condenado a 21 anos de prisão pela suposta tentativa de golpe de Estado. O ex-ministro chegou a passar quase um mês preso no Comando Militar do Planalto (CMP), mas foi transferido de regime após a comprovação do diagnóstico de Alzheimer.

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