
O ministro do STF André Mendonça detalhou como Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, operava uma estrutura de inteligência clandestina para intimidar críticos. O esquema envolvia monitoramento presencial, planos de agressão física e acesso ilegal a sistemas federais e internacionais.
O que era 'A Turma' mencionada nas investigações?
Era um braço operacional informal criado pelo grupo de Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, essa estrutura servia para obter informações sigilosas ilegalmente, monitorar a rotina de jornalistas e autoridades e intimidar qualquer pessoa que criticasse o conglomerado financeiro de Vorcaro. Estima-se que o empresário destinava cerca de R$ 1 milhão por mês para financiar essas atividades.
Quais autoridades ou profissionais foram alvos do grupo?
Embora a lista de monitorados possa passar de 20 pessoas, documentos detalham ações contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Em mensagens interceptadas, Vorcaro manifestou o desejo de que o profissional fosse espancado em um assalto simulado para quebrar seus dentes. O grupo também mirava servidores do Banco Central e órgãos de controle para tentar barrar a liquidação do Banco Master.
Como funcionava a chamada 'milícia digital' do esquema?
Além da vigilância física, o grupo operava o 'Projeto DV', que usava influenciadores digitais para atacar a reputação de autoridades e inundar a internet com conteúdos positivos sobre o banco. Eles também tentavam derrubar links negativos e simulavam solicitações oficiais para obter dados privados em plataformas digitais, tentando moldar a opinião pública e pressionar instituições como o Tribunal de Contas da União.
De que forma o grupo conseguia informações sigilosas?
A organização contava com o apoio de um policial federal aposentado e utilizava credenciais de terceiros para invadir bancos de dados restritos. Houve acesso irregular a sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como a Interpol. Esse aparato de contrainteligência permitia ao grupo antecipar passos de investigações e monitorar movimentações do Estado.
Quais foram as medidas tomadas pela Justiça até agora?
O ministro André Mendonça decretou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e de outros operadores centrais do esquema. Para o magistrado, a liberdade dos envolvidos representa um risco grave à ordem pública e à segurança de servidores públicos. Além disso, houve o bloqueio de R$ 2,2 bilhões nas contas da família do banqueiro para garantir a reparação de danos.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.








