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Última Análise

Como escândalo entre Moraes e Vorcaro ameaça futuro do STF

Moraes Vorcaro
Relatório da PF traz várias mensagens de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, pedindo proteção e até conselhos sobre sair do país. (Foto: Antonio Augusto/STF)

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No programa Última Análise desta terça-feira (01), os convidados falaram sobre o escândalo que se instalou no centro da Corte mais poderosa do país. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi o epicentro das revelações do ministro André Mendonça. Diálogos entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mostraram que a ligação entre ambos era ainda maior do que se imaginava.

"As provas mostram uma relação de desabrida corrupção. Os diálogos mostram que a relação era financeira, comercial e de toda sorte. O inquérito precisa ir às últimas consequências para salvar o próprio STF", diz o ex-juiz de Direito Adriano Soares da Costa.

Dentre as revelações, Moraes teria revisado pessoalmente o contrato entre Vorcaro e sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Além disso, o banqueiro teria autorizado limites excepcionais para o filho do casal em cartão de crédito e mensagens demonstram a admiração pelo magistrado. "Legado eterno", diz uma delas. Ao final, ele pede ajuda nas investigações contra o banco Master.

"É o momento mais baixo das instituições brasileiras. Hoje temos um ministro do STF dentro de um lamaçal de podridão e corrupção", lamenta o jurista Frederico Junkert.

A reação da PGR

Após a exposição das mensagens, o caso ganhou resposta de um dos envolvidos na trama, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Os mesmos diálogos demonstram que o filho de Gonet teve uma viagem paga para Londres por Vorcaro. Em parecer, o procurador disse que os diálogos são nulos.

"O parecer da procuradoria é tecnicamente raso e insustentável. Ele não faz qualquer sentido e é só um pensamento de Gonet. Já a decisão de Mendonça é clara, rígida e perfeita", avalia Soares da Costa.

No parecer, Gonet diz que "não deve o relator admitir e nem determinar que um colega da Corte seja escrutinado". Ainda, completa que, caso Mendonça identificasse elementos suspeitos contra Moraes, deveria ter enviado o caso ao plenário do STF.

"A manifestação é nula de pleno direito. Gonet alega que Mendonça não poderia ter investigado o Moraes, por não ter autorização do plenário, mas é justamente isso que ele está buscando para dar continuidade às investigações", diz Junkert.

Impeachment ou renúncia?

Hoje (02) o presidente do STF, Edson Fachin, se pronunciou sobre o caso. Ele reconheceu a crise que se instalou na Corte e disse que a autoridade do cargo de ministro “não confere privilégios” e que anunciará, nos próximos dias, medidas em relação ao caso.

"O STF agora responde a um escândalo de proporções históricas no Brasil. O que agora está acontecendo será estudado pelas proximas gerações. A Corte precisa se posicionar. Ou vão se proteger, ou vão forçar uma solução mais radical", resume o professor da FGV Vargas.

O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.

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