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Para entender

Condenado liga governador do Maranhão a esquema de propina e silêncio

Carlos Brandão, no entanto, nega qualquer relação com condenado. Depoimento à PF aponta pagamento de propina. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados / arquivo)

Um homem condenado por assassinato no Maranhão afirmou, em depoimento sigiloso à Polícia Federal, que possuía trânsito livre no gabinete do governador Carlos Brandão. Gilbson Júnior relatou reuniões no Palácio dos Leões e o recebimento de pagamentos mensais para não envolver o nome do político e de seus familiares no crime que vitimou o empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em São Luís.

Quais foram as principais revelações feitas pelo condenado em seu depoimento?

Gilbson Júnior detalhou que sua aproximação com Carlos Brandão começou em 2021, época em que o atual governador era vice de Flávio Dino. Segundo o relato, ele possuía inclusive uma vaga cativa no estacionamento da sede do governo e entrava por áreas privativas para reuniões. O ponto central envolve uma disputa por dinheiro de uma empresa que prestava serviços ao estado. Gilbson afirma que o assassinato de João Bosco Sobrinho aconteceu durante uma cobrança de valores que deveriam retornar ao grupo político e que, após o crime, ele recebeu dinheiro vivo para ficar calado.

Como teria funcionado o suposto esquema de pagamentos para manter o silêncio?

Conforme o depoimento prestado à delegada da Polícia Federal, a família do assassino confesso teria recebido valores mensais em espécie para que os nomes do governador e de seu sobrinho, Daniel Brandão, não fossem citados. Gilbson afirma que os repasses começaram em quarenta mil reais mensais, caindo para trinta mil após a eleição de Brandão e, por fim, chegando a quinze mil reais. Ele apontou intermediários no governo e citou uma ligação do irmão do governador, Marcus Brandão, reforçando que 'tudo daria certo' se ele mantesse o sigilo sobre a cúpula do estado.

Qual é o envolvimento de Daniel Brandão e quais medidas foram tomadas pela justiça?

Daniel Brandão, sobrinho do governador e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, é apontado pelo condenado como participante da reunião que terminou no assassinato do empresário. Recentemente, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou o afastamento de Daniel de suas funções no tribunal. Gilbson Júnior alega que seu primeiro depoimento à Polícia Civil foi manipulado por delegados para proteger o sobrinho do governador. Ele afirma que recebeu orientações explícitas, inclusive por meio de bilhetes na delegacia, para omitir a presença de Daniel Brandão na cena do crime.

O que dizem o governador Carlos Brandão e os outros citados no caso?

O governador Carlos Brandão negou categoricamente qualquer relação com Gilbson Júnior, classificando as acusações como mentiras sem provas vindas de um criminoso confesso. Brandão afirma que nunca o recebeu no Palácio dos Leões e que sua vida pública sempre foi pautada pelo trabalho. Daniel Brandão também declarou ser absolutamente inocente e afirmou que provará a verdade nos autos do processo, embora discorde do afastamento do cargo. Outros citados, como o desembargador Flávio Costa e o ex-secretário Raimundo Cutrim, ainda não se manifestaram oficialmente sobre as alegações.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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