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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva| Foto: Agência Brasil/EBC

O Hamas, grupo considerado terrorista por União Europeia, Israel, Reino Unido e Estados Unidos e que bombardeou Israel na manhã deste sábado (7), parabenizou o presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por ocasião de sua vitória nas eleições de 2022.

Na época, Basim Naim, membro do Bureau Político do Hamas, chamou Lula de “lutador pela liberdade” e considerou sua eleição “uma vitória para todos os povos oprimidos ao redor do mundo, particularmente o povo palestino, pois ele é conhecido por seu forte e contínuo apoio aos palestinos em todos os fóruns internacionais”.

A conhecida posição do presidente Lula em apoio ao Estado Palestino foi reiterada no mês passado, quando, como de praxe, o Brasil abriu a reunião ordinária anual da Assembleia Geral das Nações Unidas.  No seu 8º discurso na plenária da Assembleia Geral, Lula afirmou. “É perturbador ver que persistem antigas disputas não resolvidas e que surgem ou ganham vigor novas ameaças. Bem o demonstra a dificuldade de garantir a criação de um Estado para o povo palestino”, disse Lula.

Durante os mandatos anteriores de Lula, (de 2003 a 2010), o país reiterou, na abertura das Assembleias da ONU, a posição de apoio a solução de 2 Estados como meio de alcançar uma paz na região, defendendo o fim da ocupação de territórios palestinos.

Declarações são vistas com cautela pela diplomacia de Israel

As declarações do presidente brasileiro sempre foram vistas com cautela pelo Ministério das Relações Exteriores israelense. Em 2003, o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Gazit, e analistas políticos locais criticaram as palavras do líder brasileiro durante visita a países do Oriente Médio.

Lula havia criticado a ocupação de territórios palestinos, dizendo que "a manutenção e a expansão de assentamentos são inaceitáveis". Também defendeu a resolução que exige a devolução à Síria das Colinas do Golã.

David Saranga, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, que a criação do Estado Palestino, questionou, porém, as intenções pacíficas desse futuro país. "Nossa preocupação é apenas quanto ao caráter desse Estado, se ele vai apoiar o terrorismo ou não", disse Saranga à época.

Também mostrou irritação com o enfoque de Lula sobre a questão da devolução à Síria das Colinas do Golã. "Israel só está no Golã por causa dos ataques sírios diários que partiam da região antes de 1967 (quando, após a vitória na Guerra dos Seis Dias sobre a Síria, Israel conquistou o conjunto de montanhas na fronteira entre os dois países)", disse Gazit. "Vamos pensar seriamente em devolver o Golã se a Síria realmente quiser assinar um acordo de paz conosco. O problema é que não temos certeza das intenções dos sírios", concluiu. Gazit afirmou que Israel já provou mais de uma vez que quer a paz com seus vizinhos, ao assinar acordos tanto com o Egito (1978) quanto com a Jordânia (1994).

Em 2009, já no seu 2º mandato, o presidente voltou ao tema, no discurso da ONU, pedindo "autoridade política e moral para solucionar os conflitos do Oriente Médio, garantindo a coexistência de um Estado Palestino com o Estado de Israel.”

Declaração imprecisa foi criticada por arranhar credibilidade do Brasil

Mais recentemente, em reunião oficial do Mercosul com o governo espanhol, Lula foi criticado por uma frase imprecisa:  “A ONU era tão forte que, em 1948, conseguiu criar o Estado de Israel. Em 2023, não consegue criar o Estado palestino”.

Analistas viram prejuízos às relações diplomáticas e à credibilidade do Brasil como um mediador, já que a ONU, enquanto organização internacional, não tem prerrogativa de criação de países. Em 1947, uma reunião aprovou, por maioria dos países membros à época, a Resolução 181 que sugeria a criação de 2 Estados-nação, um árabe e outro judeu, no território conhecido como Mandato Britânico da Palestina. A soberania de Israel na área, posteriormente, se deu por inúmeros fatores, não pela vontade da ONU.

A posição de Lula contrasta com a do governo de Jair Bolsonaro, seu antecessor, que tinha maior aproximação com Israel. Alinhado com a política de Donald Trump, então presidente dos Estados Unidos, o Brasil apoiou, em 2019, a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, que não se concretizou.

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