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O governo Lula (PT) elevou os investimentos em plataformas digitais a patamares que superaram, em 2025, o montante destinado a grandes redes de televisão como SBT e Band.
O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (3) pelo jornal Folha de S. Paulo, revela que o Google e a Meta (controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp) figuram agora no topo do ranking de beneficiados pela publicidade federal, ficando atrás apenas dos grupos Globo e Record.
De acordo com os dados obtidos pelo jornal junto ao Sistema de Comunicação de Governo (Sicom), em 2025, o Google recebeu ao menos R$ 64,6 milhões, enquanto a Meta obteve R$ 56,9 milhões.
Em contrapartida, o SBT registrou RS 45,8 milhões e a Band, R$ 24,4 milhões no mesmo período. A fatia de gastos com internet saltou de cerca de 20% para mais de 30% do orçamento total de campanhas.
Em 2025, aproximadamente 34,5% dos recursos foram direcionados para a rede, quase o dobro do percentual de 17,7% registrado no último ano do governo Bolsonaro (PL).
À Folha, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) afirmou que essa estratégia visa ampliar o alcance dos serviços públicos e dialogar com o tempo crescente que o brasileiro dedica à navegação digital.
Após a megaoperação contra o narcotráfico no Rio de Janeiro, o governo Lula gastou ao menos R$ 454 mil em anúncios nas redes sociais para divulgar ações de combate ao crime organizado em quatro dias, entre os dias 29 de outubro e 1º de novembro.
O valor foi pago à Meta e serviu para ampliar o alcance de três publicações oficiais sobre segurança pública, segundo dados de transparência da própria plataforma, confirmados pela Gazeta do Povo.
Grupo Globo lidera verbas de publicidade do governo Lula
Embora a internet tenha apresentado um crescimento, a televisão ainda é o principal destino dos anúncios da Secom e dos ministérios, concentrando cerca de 45% das verbas.
O Grupo Globo mantém a liderança isolada, com repasses de aproximadamente R$ 150 milhões, em 2025, seguido pela Record, com R$ 80,5 milhões.
Além do foco digital, o governo Lula retomou investimentos em jornais impressos de grande circulação, como a própria Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, que haviam deixado de receber publicidade federal direta no governo Bolsonaro, entre 2020 e 2022.
Repasse para publicidade atingiu maior valor desde 2017
O levantamento da Folha destaca que o orçamento total empenhado para propaganda atingiu R$ 1,5 bilhão no último ano, o maior valor desde 2017.
Desse montante, houve um fortalecimento da comunicação institucional (R$ 924 milhões) para promover bandeiras governamentais como o slogan "Brasil Soberano" e o programa "Gás do Povo", superando os gastos com utilidade pública, como campanhas de vacinação (R$ 613 milhões).
A aceleração dos gastos ocorreu sob o comando do ministro Sidônio Palmeira, que assumiu a Secom em janeiro de 2025 no lugar do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).
A mudança aconteceu em um momento em que o governo buscava ampliar o controle de narrativas nas redes sociais sobre suas políticas. Em setembro de 2025, Palmeira afirmou que as big techs são “importantíssimas para a comunicação e para o povo brasileiro”.
A nova estratégia de mídia inclui apostas em plataformas de streaming e vídeos curtos, como o Kwai, e em serviços de streamings, como Netflix e Prime Video.
Por outro lado, a verba destinada ao X (antigo Twitter) foi eliminada dos planos de mídia após as críticas do bilionário Elon Musk, dono da plataforma, contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Se não quiser regulação, saia do Brasil, disse Lula a big techs
Em meio ao tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, Lula afirmou que as redes sociais que não quisessem cumprir a legislação brasileira, poderiam sair do país.
A declaração ocorreu após o presidente americano, Donald Trump, criticar as decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes contra as plataformas.
“Esse país é soberano, tem uma Constituição, uma legislação. Ora, é da nossa obrigação regular o que quisermos regular, de acordo os interesses e a cultura do povo brasileiro”, disse Lula, em entrevista à agência de notícias Reuters, em agosto do ano passado.
“Se não quiserem regulação, que saiam do Brasil. Não existe outro mecanismo. Da mesma forma que nos EUA uma empresa brasileira é obrigada a seguir a legislação americana”, acrescentou.
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