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Reunião do presidente Jair Bolsonaro com ministros em 22 de abril de 2020. Segundo o ex-ministro Sergio Moro, vídeo do encontro teria provas de que presidente tentou interferir na Polícia Federal.
Reunião do presidente Jair Bolsonaro com ministros em 22 de abril de 2020. Segundo o ex-ministro Sergio Moro, vídeo do encontro teria provas de que presidente tentou interferir na Polícia Federal.| Foto: Marcos Correa/PR

Damares Alves, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, defendeu a prisão de prefeitos e governadores durante a reunião do dia 22 de abril no Palácio do Planalto. O vídeo do encontro foi tornado público nesta sexta-feira (22) pelo ministro do STF, Celso de Mello. A ministra reclama com o presidente Jair Bolsonaro de que "idosos", "mulheres" e "padres" estavam sendo punidos por infringir o isolamento. Damares classifica as ações de contenção como "a maior violação de direitos humanos da história do Brasil nos últimos trinta anos".

"Nunca ouve tanta violação de direitos no Brasil como neste período. Direitos fundamentais foram violados. No nosso "disque cem" tem mais de cinco mil registros, ministros, de violação de direitos humanos. Mas o senhor tem uma ministra de Direitos Humanos e uma equipe muito corajosa. São mais de cinco mil procedimentos e ações que estão sendo construídas. Governadores e prefeitos responderão processos", diz Damares durante a reunião.

A ministra prossegue dizendo que "a pandemia vai passar, mas governadores e prefeitos responderão processos e nós vamos pedir inclusive a prisão de governadores e prefeitos". E que o ministério "vai começar a pegar pesado com governadores e prefeitos".

Pauta de valores e recado para ministro da saúde

Damares pede a atenção para as pautas de valores defendidas pelo governo Bolsonaro. E cobra, inclusive, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich sobre a liberação do aborto. “E quando eu falo valores aí eu quero olhar pro nosso novo ministro aqui da saúde e dizer: ministro, valores estão lá no seu ministério também".

E continua: "Neste momento de pandemia a gente tá vendo aí a palhaçada do STF trazer o aborto de novo para a pauta, e lá tava a questão de...as mulheres que são vítima do zika vírus vão abortar, e agora vem do coronavírus? Será que vão querer liberar que todos que tiveram coronavírus poderão abortar no Brasil? Vão liberar geral?”.

Para a ministra, o ministério da Saúde está “lotado de feminista que tem uma pauta única que é a liberação de aborto”.

"Contaminação criminosa" por coronavírus nas aldeias indígenas  

A ministra disse acreditar que indígenas estão sendo contaminados pelo coronavírus de forma proposital para atingir o governo Bolsonaro. "Porque nós recebemos a notícia que haveria contaminação criminosa em Roraima e Amazônia, de propósito, em índios, pra dizimar aldeias e povos inteiro pra colocar nas costas do presidente Bolsonaro", afirma Damares.

"Eu tive que ir pra lá com o presidente da Funai e me reuni com generais da região e o superintendente da Polícia Federal, pra gente fazer uma ação ali meio que sigilosa, porque eles precisavam matar mais índio pra dizer que a nossa política não tava dando certo", ressalta a ministra.

Reunião ministerial

A reunião é uma das provas citadas pelo agora ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, de que o presidente da República Jair Bolsonaro teria tentado interferir na Polícia Federal.

Além de Bolsonaro, na reunião ministerial também se pronunciam Moro, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano; os ministros da Saúde, Nelson Teich; da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas; das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves; o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio; e o ministro da Educação Abraham Weintraub.

Assessoria da ministra se manifestou antes da divulgação

O vídeo da reunião ministerial foi exibido no dia 12 de maio para um grupo de pessoas autorizadas por Celso de Mello, relator do inquérito no STF. E então, após alguns trechos transcritos, com falas da ministra a assessoria do ministério se manifestou:

"A ministra Damares Alves, por meio de sua assessoria, disse que pediu a punição de prefeitos e governadores no contexto de desvios de insumos durante a pandemia e violação de direitos, citando como exemplo atos truculentos contra idosos que não respeitarem as regras de isolamento e distanciamento social. Segundo a assessoria, a ouvidoria do ministério tem 8500 denúncias sobre isso".

A ministra também usou o Twitter para comentar suas falas durante a reunião.

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