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A defesa de Daniel Vorcaro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que os depoimentos do ex-dono do Banco Master à Polícia Federal (PF) sejam adiados. De acordo com a petição desta segunda-feira (21), os advogados ainda não conseguiram a cópia completa dos autos. As oitivas estão previstas para 24 e 30 de setembro.
"Diante da complexidade da causa e da extensão do material, após a efetiva disponibilização da íntegra dos autos, a Defesa precisa de período mínimo (não menor que 10 dias úteis) para analisar o material e sobre ele dialogar com o cliente (hoje custodiado)", diz um trecho da petição.
Daniel Vorcaro é apontado como o chefe da organização criminosa descoberta pela operação Compliance Zero. Mensagens extraídas do seu celular detalham uma rede de influência que chega a autoridades dos três poderes e alcança ministros do Supremo.
Um dos elos dessa rede foi o pivô para a instauração da atual crise na Corte. Em 1º de setembro, o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório que detalha contratos, encontros e mensagens do banqueiro ao ministro Alexandre de Moraes.
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O material revela que um helicóptero e um jatinho foram parte de uma negociação entre o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro, e a Vikings Participações, ligada ao grupo. Vorcaro dava prioridade ao casal e chegou a abrir mão de um voo para Roraima após descobrir que o jatinho seria utilizado.
Outro documento encaminhado ao STF revela um contrato de advocacia de até R$ 427 milhões com o escritório de Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos. Os dois aparecem em mensagens do celular de Vorcaro associados à expressão “Turma do KN”, que, segundo as trocas analisadas pela PF, faria referência ao ministro Kassio Nunes Marques.
O ministro classifica como narrativa a sua associação e atribui a ofensiva a uma tentativa de deslegitimar sua atuação como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele se declarou impedido de julgar o caso sobre Moraes alegando justamente a possibilidade de impacto no cenário político-eleitoral.
Quem também se afastou da discussão, dizendo-se suspeito, foi o ministro Dias Toffoli. O primeiro relator do caso Master foi o primeiro a ser associado ao banqueiro. Ele viajou de jatinho em novembro de 2025 para o Peru, acompanhado do advogado Augusto Arruda Botelho, que defendeu Luiz Antonio Bull, investigado nos processos. Depois, descobriu-se a venda de sua empresa Maridt ao fundo Arleen, ligado ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.




