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A defesa de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, pediu que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defina quem deve analisar os pedidos de liberdade apresentados pelo investigado no caso Master. Caso entenda que a remessa do processo à Presidência transferiu também essa competência, os advogados pedem que Fachin revise a prisão preventiva, com possibilidade de revogação, substituição por medidas cautelares ou concessão de prisão domiciliar humanitária em razão da gravidez da esposa e dos cuidados com o filho de dois anos.
De acordo com a petição protocolada nesta quinta-feira (17), a mudança da relatoria do processo, que saiu das mãos de André Mendonça, ocorreu sem que pedidos anteriores por liberdade fossem analisados, deixando em aberto quem seria o responsável pela decisão. No sistema do Supremo, Mendonça ainda consta como relator, o que, para a defesa, torna "a peculiaridade ainda mais evidente".
A mudança de relator ocorreu como uma das medidas de Fachin para tentar arrefecer a crise no Supremo. Além dela, uma petição do caso das fraudes no INSS e a petição com o relatório sobre as relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro também foram capturadas.
Zettel foi preso preventivamente em março de 2026, apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos operadores financeiros do esquema liderado por Vorcaro. Ele seria um dos responsáveis por operacionalizar, jurídica e financeiramente, os pagamentos e repasses de dinheiro a mando do banqueiro.
Zettel também atuava como pastor da unidade Belvedere da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, da qual constava como presidente da entidade jurídica. A unidade foi fechada em março, depois que investigações passaram a examinar movimentações financeiras ligadas ao local. Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou R$ 57,1 milhões em movimentações atípicas na conta da unidade entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025; Zettel teria feito 26 depósitos que somaram R$ 19,2 milhões.
A defesa aponta que vem reiterando o pedido para análise da revogação da prisão, sem resposta. Enquanto aguardava, ocorreu a mudança na relatoria, o que levou o caso a deixar o gabinete de Mendonça com o apelo ainda em aberto.
Há, ainda, um pedido secundário: caso Fachin entenda que a remessa dos autos não transferiu a competência para decidir sobre a prisão, a defesa pede que isso seja declarado expressamente e que a petição seja imediatamente colocada à disposição do ministro competente. Em último caso, os advogados requerem que a controvérsia sobre quem deve analisar o pedido seja submetida ao plenário do STF.
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Relembre o conflito no Supremo
Na terça-feira (15), os ministros se reuniram para enfrentar uma crise que começou junto com o mês de setembro. André Mendonça abriu o sigilo de um dos processos sob sua relatoria no âmbito do caso Master. Nele, estava um relatório da PF que focava nas relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O documento traz mensagens, reuniões e contratos com o escritório Barci de Moraes, chefiado pela esposa do ministro, Viviane Barci. Nelas, Vorcaro pede para o interlocutor "bloquear" decisões desfavoráveis e intervir em seu favor diante das pressões vindas do Banco Central (BC) por uma medida mais dura contra seu banco.
No mesmo dia, Moraes mandava a PF entregar todos os relatórios de inteligência que citavam algum membro do Supremo. Com isso, trouxe trechos em um despacho do inquérito das fake news que falam de uma atuação irregular de Mendonça, citando escolha de alvos, condução de delações e interferência na estrutura administrativa da corporação.
Mendonça teceu críticas aos documentos em uma decisão que afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Andrei, por sua vez, usou um processo do caso Dark Horse para direcionar a Dino um apelo por sua reintegração. Dino concordou e deu uma decisão oposta à de seu colega, entrando no embate. A justificativa foi de que o afastamento atrasaria investigações sob sua relatoria.
Fachin reagiu à crise suspendendo as duas liminares, o que, na prática, manteve Andrei e Almada no cargo. O presidente também retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e dois processos de Mendonça, um da operação Compliance Zero (caso Master) e outro da operação Sem Desconto (fraudes no INSS). A Gazeta do Povo apurou que ele já se reuniu com Mendonça e deve assumir por completo o caso Master em breve.
Nos dias que antecederam as questões, os ministros da ala pró-Moraes iniciaram uma ofensiva pelos dados brutos do celular de Daniel Vorcaro. Zanin foi o primeiro e alegou que, se Mendonça possuía uma cópia das informações, seria justo que os colegas também o tivessem. Mendonça, por sua vez, alegou que sua cópia está lacrada e serve apenas como contraprova, caso o material original se perca. Ele alegou que tornar o material disponível apenas serviria para tumultuar o julgamento e desviar o foco.
Fachin, então, entrou em jogo e pediu para a PF esclarecer se era possível enviar os dados. A corporação disse que sim. Com isso, Zanin, Gilmar Mendes e Moraes enviaram ofícios diretamente ao órgão, que fizeram a entrega. Ficou, com o conflito, um conflito de versões: a PF afirmou que entregou os dados a pedido do próprio gabinete de Mendonça. O magistrado, no entanto, disse que o material foi entregue espontaneamente.




