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Operação Formosa

Defesa retoma treinamento com tropas estrangeiras atravessado por crise diplomática com os EUA

Múcio Monteiro autorizou ingresso de tropas dos EUA, Paraguai e França, mas não mencionou China, como em 2024.
Múcio Monteiro autorizou ingresso de tropas dos EUA, Paraguai e França, mas não mencionou China, como em 2024. (Foto: Andre Coelho/EFE)

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O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, autorizou a entrada de 115 militares estrangeiros armados no Brasil para a realização de um treinamento militar entre os dias 3 e 25 de setembro no município de Formosa (GO), a cerca de 80 km de Brasília. Serão 55 militares americanos, 40 franceses e 20 paraguaios. A decisão foi publicada na edição desta quarta-feira (26) do Diário Oficial da União (DOU).

A Marinha situa em 1988 o início dos exercícios e adestramentos em Formosa. A operação atravessa questões internas e geopolíticas, retornando depois de uma crise diplomática que chegou a provocar sanções e afetar a cooperação militar em 2025. Embora as sanções contra Moraes tenham sido retiradas no fim daquele ano, as relações voltaram a sofrer tensão comercial em 2026, com novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

Apesar das tropas estrangeiras, o maior contingente é nacional. Em 2022, por exemplo, participaram cerca de 3,5 mil militares das três forças. A decisão não menciona tropas da China, como ocorreu na edição anterior.

Exercício de 2025 foi cancelado em meio a Magnitsky e tarifaço

Em agosto de 2025, a cooperação militar foi contaminada pela maior crise bilateral em décadas. O exercício foi cancelado pela Marinha em meio às tarifas de 50% e à vigência da Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, além de outras autoridades.

Oficialmente, porém, a justificativa foi de restrições orçamentárias por conta de outro treinamento, a Operação Atlas. A decisão ocorreu após uma reunião da cúpula das Forças Armadas.

No final do ano, as restrições contra Moraes foram revogadas após uma reunião entre o presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em setembro, durante a 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Trump já havia acenado ao petista ao dizer que houve uma "química excelente" entre os dois.

Brasil colocou China e EUA juntos em 2024

Um ano antes, houve um marco histórico: fuzileiros da China foram autorizados a atuar em campo ao lado de militares americanos. Em 2023, houve a primeira participação mas na qualidade de observadores.

O chefe das tropas dos Estados Unidos na operação, tenente-coronel Brandon Ward, afirmou à Folha de São Paulo que o objetivo seria fortalecer os laços com o Brasil, apesar da presença da China.

"Entendemos que outros países têm objetivos diferentes. O nosso é estreitar os laços com a Marinha porque nós queremos ter uma relação forte da América do Norte com a América do Sul, para que possamos trabalhar juntos em qualquer crise que vier", apontou.

Já o comandante da Marinha do Brasil, Marcos Sampaio Olsen, afirmou que a junção se justificaria pelo "intercâmbio de conhecimentos" e classificou o feito como "instrumento de incremento de confiança".

Entrega de convite a Bolsonaro em 2021 gerou tensão entre poderes

Em 2021, o treinamento, até então restrito à Marinha, passou a contar com a participação do Exército e da Força Aérea Brasileira. A partir de então, a Operação Formosa passou a integrar o calendário operativo do Ministério da Defesa.

Naquele ano, a tensão entre os poderes se elevou com um desfile de blindados no mesmo dia da votação da PEC do voto impresso. A Marinha esclareceu que o comboio foi enviado para entregar ao então presidente Jair Bolsonaro (PL) um convite para acompanhar a Operação Formosa 2021, em razão da presença inédita das três forças.

"Cabe destacar que essa entrega simbólica foi planejada antes da agenda para a votação da PEC 135/2019 no Plenário da Câmara dos Deputados, não possuindo relação com a mesma, ou qualquer outro ato em curso nos Poderes da República", diz a nota divulgada à época.

O comandante da Marinha na ocasião era o Almirante Almir Garnier, que mais tarde seria condenado a 24 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo por suposta tentativa de golpe, na mesma ação em que Bolsonaro recebeu a maior punição do caso, 27 anos. O desfile surgiu no voto de Moraes para reforçar seu posicionamento pela condenação.

Em 2020, auge da pandemia de Covid-19, o contingente foi reduzido para 500 militares e as operações também foram em menor escala. Um ano antes, o primeiro do mandato de Jair Bolsonaro (PL), a Tenente Liana tornou-se a primeira mulher a comandar um pelotão de infantaria. O contingente foi de aproximadamente 1.900 militares.

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