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Op. Compliance Zero 8

Delator da Lava Jato teria intermediado contato entre Castro e Vorcaro, diz PF

Rioprevidência
Empresário Ricardo Siqueira Rodrigues é apontado como "articulador, captador e lobista" de aproximação com autoridades. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

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A Polícia Federal apontou que o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, delator da Operação Lava Jato, teria atuado como intermediador da relação entre o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Ele foi um dos alvos da oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta terça-feira (26) e que cumpriu mandados de busca apreensão inclusive na residência do político do Rio de Janeiro.

Segundo a investigação, essa aproximação política entre Castro e Vorcaro abriu caminho para que a Rioprevidência, o regime próprio de aposentadorias e pensões dos servidores do Rio de Janeiro, aplicasse R$ 3,6 bilhões em fundos e papéis – aplicações de Letras Financeiras – ligados ao Banco Master desde o fim do ano de 2023.

“A Polícia Federal o descreve como articulador, captador e lobista, com papel ativo na identificação de oportunidades de negócios e na aproximação entre Daniel Vorcaro e autoridades públicas com poder de decisão sobre regimes próprios de previdência”, escreveu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão que autorizou a operação e que a Gazeta do Povo teve acesso.

A reportagem tenta contato com os advogados de Rodrigues, o espaço está aberto para manifestações.

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Rodrigues atuou como delator da Operação Lava Jato nos desdobramentos no Rio de Janeiro, tendo sido preso preventivamente em abril de 2018 durante a ação Rizoma, que investigava fraudes, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção envolvendo fundos de pensão como Postalis, dos Correios, e Serpros, do Serviço Federal de Processamento de Dados.

Após a prisão, ele fechou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal com a previsão de pagamento de uma multa compensatória de R$ 33 milhões. Pelo menos R$ 10 milhões já teriam sido pagos.

Na operação desta terça-feira (26), a Polícia Federal atribuiu ao empresário o papel central na “intermediação política e operacional da captação” de recursos da Rioprevidência no Banco Master. Ele teria recebido uma “comissão de 0,6% sobre os valores angariados”.

“Tendo afirmado a Vorcaro que resolveria os trâmites internos, restando pendente apenas o alinhamento político. Em outra passagem, teria indicado que o RPPS (Regime Próprio de Previdência Social) possuía um ‘dono’ que precisava autorizar os agentes internamente”, citou Mendonça.

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A investigação apurou que Castro articulou mudanças na direção da Rioprevidência coincidentemente após reuniões com Daniel Vorcaro, destituindo diretores que supostamente eram contra a aplicação de recursos no Banco Master. Pareceres técnicos da época indicavam alto risco nos papéis oferecidos pela instituição.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal e reproduzidas na decisão apontam que Rodrigues comemorou e agradeceu a Vorcaro pelo alcance da “meta estabelecida” para captar recursos de fundos de previdência. Para a investigação, ele foi o “principal responsável” para a aquisição de papéis do Banco Master junto às previdências próprias.

“Daniel, quero deixar registrado aqui meu agradecimento a toda a equipe q vc disponibilizou desde novembro. Atingimos a meta estabelecida em apenas 45 dias, o banco foi o segundo maior captador de LF [letra financeira] nesse período e temos um pipeline para o primeiro semestre já em reta final de mais de bilhão”, disse na mensagem.

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Outro ponto investigado pela Polícia Federal envolve a Mídias Promotora Ltda, empresa atribuída a Ricardo Siqueira Rodrigues e supostamente registrada em nome de um laranja que teria sido usada para “receber e distribuir comissões” sobre os recursos captados com os regimes próprios de previdência aos envolvidos no suposto esquema.

“A Mídias Promotora não figura apenas como intermediária formal, mas como peça instrumental na logística financeira da organização criminosa, permitindo a circulação e a fragmentação dos ganhos ilícitos com aparência de regularidade contratual, permitindo a circulação e a fragmentação dos ganhos ilícitos com aparência de regularidade contratual”, escreveu Mendonça.

Para a Polícia Federal, a empresa operava “sem aparente correspondência com atividades lícitas compatíveis”, sugerindo que seria um “canal para escoar recursos oriundos das operações fraudulentas, facilitando a lavagem de ativos e o repasse de valores aos agentes envolvidos”.

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