Deltan Dallagnol em ambiente escuro.
Deltan Dallagnol responde a reclamações de Dias Toffoli e de Renan Calheiros.| Foto: Hedeson Alves/Gazeta do Povo/Arquivo

Em meio à publicação de reportagens que trazem conversas atribuídas a membros da Lava Jato, o coordenador da força-tarefa em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol, volta a ser alvo do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Deltan já se livrou anteriormente de uma série de processos disciplinares no Conselho. Mas outras duas reclamações contra o procurador estão na pauta desta terça-feira (13) do CNMP. E podem vir a ser usadas para afastá-lo do comando da Lava Jato no Paraná.

Segundo levantamento do jornal O Globo, Deltan é alvo de oito reclamações e um procedimento administrativo disciplinar no CNMP. O órgão é responsável pelo controle externo das atividades do Ministério Público, e tem prerrogativa para suspender procuradores que cometam irregularidades no exercício da função.

Os dois casos contra Deltan na pauta desta terça do CNMP não têm relação com as reportagens as supostas conversas de integrantes da Lava Jato publicadas pelo site The Intercept Brasil e por outros veículos de comunicação. Mas o caso dos diálogos vazados é o pano de fundo das discussões do Conselho. E, nos bastidores do Ministério Público Federal (MPF), há uma ala de procuradores que defende o afastamento ou a suspensão do coordenador da Lava Jato.

Deltan contra Toffoli e Renan Calheiros

Uma das ações contra o coordenador da Lava Jato no CNMP é a reclamação feita pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, depois de uma entrevista concedida pelo procurador à rádio CBN em agosto de 2018.

À rádio, Deltan disse que os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski formavam uma "panelinha", que passava à sociedade uma mensagem favorável à corrupção em suas decisões.

O segundo processo é uma reclamação do senador Renan Calheiros (MDB-AL). O parlamentar acusa Deltan de fazer campanha no Twitter para influenciar a eleição da Mesa Diretora do Senado, em fevereiro deste ano.

Deltan e outros de seus colegas da Lava Jato encamparam uma campanha que buscava impedir Renan Calheiros de ser eleito presidente do Senado. O eleito na ocasião foi Davi Alcolumbre (DEM-AP), em uma tensa sessão que durou mais de um dia.

Retrospecto do CNMP é favorável ao procurador

Deltan já foi alvo de várias reclamações no CNMP ao longo dos cinco anos da Lava Jato que questionaram sua atuação na operação. Mas nenhuma delas prosperou até agora. Além disso, quem comanda a sessão do Conselho é a procuradora-geral da República, Raquel Dodge – que recentemente defendeu a Lava Jato contra as reportagens do Intercept.

As duas representações da pauta do Conselho desta terça eventualmente podem nem mesmo a vir a ser apreciadas pelos membros do CNMP – há 146 casos para serem analisados.

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