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América Latina

Desde que secou torneira da USAID, esquerda só acumula derrotas

Receoso das consequências de atacar Donald Trump diretamente, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva mudou de alvo em suas bravatas contra o "imperialismo": agora as diatribes são proferidas contra Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado dos EUA.

Antes das recentes trocas de farpas - Rubio acusou Lula de colocar o ego à frente dos interesses do país, enquanto o petista desafiou o americano a montar um comitê para Flávio Bolsonaro em solo brasileiro - o embate com Rubio já ocorria nos bastidores.

No Ouça Essa, o jornalista Marcos Tosi lembra que foi Marco Rubio quem comandou o desmonte da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Na visão do republicano, endossada por Trump e Elon Musk, a USAID passou a funcionar em governos democratas como um braço internacional da agenda ideológica progressista. Isso se sedimentou pelo apoio sistemático a ONGs, sindicatos, partidos e políticos alinhados com políticas de gênero, ativismo ambiental, diversidade, equidade e inclusão (DEI), e, por vezes, ajudando iniciativas de cerceamento à liberdade de expressão.

Derrocada da esquerda na América Latina coincide com fim do USAID

Em todo o globo, mais de 80% dos programas da USAID foram cancelados e cerca de 5.200 contratos acabaram encerrados. Restam cerca de mil programas, agora administrados diretamente pelo Departamento de Estado comandado por Rubio.

Na América do Sul, coincidência ou não, houve derrocada de políticos esquerdistas em eleições recentes, a partir da interrupção da ajuda estratégica da USAID aos progressistas da região. Os "vermelhos" perderam eleições recentes no Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia, que se somaram a derrotas anteriores na Argentina e no Paraguai, como analisou reportagem da Gazeta do Povo.

Cientistas políticos ouvidos pela Gazeta apontam que faz sentido associar o enfraquecimento da esquerda latino-americana ao fim do financiamento da agência americana USAID. Simplesmente porque a interrupção do fluxo de dólares cortou parte do "oxigênio" vital para a militância de sindicatos, partidos e ONGs progressistas.

EUA declaram "interesse histórico e global na liberdade de expressão"

Depois da fala de Lula desafiando Rubio a "montar um comitê" em apoio ao adversário Flávio Bolsonaro, dizendo que o americano sairia daqui igualmente derrotado, o Departamento de Estado dos EUA respondeu no devido tom diplomático, mas firme: "Em termos gerais, os Estados Unidos têm um interesse histórico e global na liberdade de expressão e na integridade dos processos democráticos em todo o mundo, inclusive no Brasil".

Em outra frente, nesta mesma semana os Estados Unidos alertaram que não permanecerão passivos diante do aprofundamento da repressão promovida pela ditadura de Daniel Ortega, na Nicarágua, e de ações que, segundo Washington, contribuem para a instabilidade regional e afetam a segurança nacional americana. O aviso veio poucas horas depois de Ortega declarar o fim das eleições no país centro-americano.

Como outros ditadores, Ortega foi acumulando, ao longo dos anos, uma série de medidas de exceção em nome da emergência, da segurança e do suposto combate ao inimigo externo. Chegou onde chegou. As consequências desse tipo de discurso, repetido à exaustão por aqui, é o que mais deveria preocupar hoje os brasileiros.

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