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Caso "Dark Horse"

Dino autoriza PF a acessar dados de operação contra produtora de filme sobre Bolsonaro

Cartaz do filme Dark Horse
Detalhe de cartaz do evento em que "Dark Horse" foi exibido pela primeira vez, em Las Vegas. (Foto: Divulgação/UnAuthorized)

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar dados apreendidos em uma operação contra a produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O material será incorporado à investigação que apura se recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à produtora foram usados para financiar a produção do longa.

A autorização foi apurada inicialmente nesta segunda-feira (24) pelo jornal O Globo e confirmada pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação. A operação que originou os dados foi realizada em junho pela Polícia Civil de São Paulo contra Karina Ferreira da Gama, produtora do filme e responsável pela Go Up Entertainment.

Karina também é proprietária do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não-governamental (ONG) investigada por suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos em um contrato firmado com a prefeitura de São Paulo para fornecer cobertura de wi-fi em locais públicos.

A Polícia Civil realizou buscas nas sedes do ICB e da Go Up Entertainment, além de dois endereços residenciais de Karina. Segundo as informações da investigação, a apuração da Polícia Federal é um desdobramento de suspeitas relacionadas ao desvio de emendas parlamentares destinadas por deputados federais e estaduais.

Os dados recolhidos na operação paulista, segundo fontes, serão utilizados para verificar a origem e a destinação dos recursos relacionados ao filme. A suspeita é de que verbas públicas destinadas a projetos sociais e culturais possam ter sido utilizadas para custear uma produção cinematográfica privada.

O inquérito federal envolve cinco parlamentares e busca esclarecer se houve desvio de finalidade na aplicação das emendas. Entre os citados está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões, em 2024, à ONG de Karina.

Em maio, Frias afirmou que as emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil não foram direcionadas para a produção do filme sobre Bolsonaro. O parlamentar negou irregularidades e sustentou que os recursos tiveram finalidade social e podem ser rastreados.

A apuração também alcança recursos provenientes da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em que deputados estaduais teriam encaminhado pelo menos R$ 703 mil em emendas para entidades ligadas ao mesmo grupo.

Além desta investigação envolvendo emendas parlamentares, o filme “Dark Horse” é foco de outra apuração comandada pelo ministro André Mendonça por um investimento milionário feito pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, em mensagens vazadas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República, cobrando os repasses à produção.

Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade e afirmou que o dinheiro teve caráter privado apenas para a produção do longa sobre a trajetória política do pai.

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