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Dino manda Carlos Viana explicar emendas a entidade investigada pela CPMI do INSS

Ministro atendeu a pedido de parlamentares de esquerda que acusam presidente do colegiado de desvio de finalidade.
Ministro atendeu a pedido de parlamentares de esquerda que acusam presidente do colegiado de desvio de finalidade. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senad)

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino deu cinco dias para que o senador Carlos Viana (Podemos-MG) e a Advocacia-Geral do Senado se manifestem sobre informações de uma reportagem do portal Metrópoles que identificou o envio de R$ 3,6 milhões em emendas Pix para a Fundação Oasis, ligada à Igreja Batista da Lagoinha, do pastor André Valadão.

O problema, apontado em um ofício dos deputados Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) e Rogério Correia (PT-MG), é que a Lagoinha passou a ser investigada pela CPMI do INSS, presidida pelo próprio Viana.

"O padrão de repasses de Viana à Fundação Oasis, entidade do mesmo ecossistema que ele protege na presidência da CPMI, evidencia possível desvio de finalidade: a emenda não serve ao interesse público, mas ao interesse de manutenção do vínculo político-financeiro entre o parlamentar e as entidades investigadas", argumentam os parlamentares.

Em entrevista coletiva, Viana criticou a determinação, alegando que Dino deveria primeira determinar uma investigação. "Espero que seja uma provocação constitucional, republicana. Porque se não for, está muito claro que é uma retaliação às minhas falas e mostra claramente que o Congresso Nacional está sendo, neste ponto, desrespeitado", completou.

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Flávio Dino, em audiência da ação sobre emendas parlamentares. Magistrado atua para determinar normas relacionadas ao envio de dinheiro público por parlamentares.Flávio Dino, em audiência da ação sobre emendas parlamentares. Magistrado atua para determinar normas relacionadas ao envio de dinheiro público por parlamentares. (Foto: Antonio Augusto/STF)

Dino é relator de uma ação no Supremo que monitora a implementação de novos padrões de transparência e rastreabilidade nas emendas, um dos processos que a Corte chama de "estruturais", por não se restringirem a um caso específico. Do outro lado, a CPMI do INSS tem seus atos moderados pelo ministro André Mendonça.

"O uso da presidência de comissão parlamentar para bloquear investigações sobre entidades beneficiárias de emendas próprias configura instrumentalização de posição institucional para fins privados, violação direta ao princípio republicano que esta Corte invocou [...] ao afirmar que ninguém exerce poder senão por delegação da soberania popular e com obrigação de prestação de contas", argumentam os parlamentares.

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Viana e o deputado federal Alencar Santana (PT-SP). Governistas confrontaram presidente da CPMI do INSS após quebra de sigilos de Lulinha, posteriormente anulada por Dino. Viana e o deputado federal Alencar Santana (PT-SP). Governistas confrontaram presidente da CPMI do INSS após quebra de sigilos de Lulinha, posteriormente anulada por Dino. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

A bancada governista ampliou sua hostilidade a Viana após uma votação que culminou na quebra dos sigilos fiscal e financeiro de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT), conhecido como "Lulinha". A sessão terminou com confusão e acusação de fraude na contagem dos votos.

Dino reaparece neste episódio, uma vez que anulou a votação contra o filho do presidente que o indicou. A justificativa para a anulação, porém, não foi a suposta fraude, mas a alegada irregularidade de uma votação de requerimentos do tipo em bloco, o que ele chamou de votação "no atacado".

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