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Discord suspende transmissões no Brasil, mas contesta decisão da ANPD

Plataforma segue em tratativas com agência reguladora para restabelecer serviços de vídeo.
Plataforma segue em tratativas com agência reguladora para restabelecer serviços de vídeo. (Foto: Reprodução/Discord.com)

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A plataforma Discord informou que, em cumprimento à determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), suspendeu seus recursos de transmissãoao vivo no Brasil. Em nota divulgada nesta segunda-feira (17), a empresa alega que as experiências em vídeo são importantes e que negocia com a agência para uma retomada.

"Seguimos comprometidos em trabalhar com formuladores de políticas públicas no Brasil para ajudar a criar uma experiência online mais segura para todos, tanto no Discord quanto em toda a internet", diz um trecho da manifestação.

A medida preventiva ocorreu na última quarta-feira (12), dois dias antes de encerrar o prazo dado pela própria ANPD para a apresentação de esclarecimentos. O estopim para a proibição foi o suicídio de uma adolescente de 13 anos no Mato Grosso do Sul. De acordo com a Polícia Federal, o ato foi transmitido ao vivo e incitado por integrantes de um grupo criminoso que atuava digitalmente. Depois disso, a primeira-dama, Janja da Silva, defendeu publicamente a suspensão da plataforma como um todo, não apenas das lives.

De acordo com a ANPD, a tragédia teria sido transmitida, sem que a plataforma derrubasse o conteúdo. O Discord, porém, aponta que "sinais de atividade de conta descritos na resposta são compatíveis com a vítima ainda estar viva" e que a interface apontada nas imagens anexadas ao caso não condizem com sua interface.

Por meio de uma "carta à comunidade do Discord no Brasil", o CTO e cofundador da big tech, Stanislav Vishnevskiy, classificou o episódio como "um caso devastador" e fruto de uma "campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas". Ao final, o executivo pede que os usuários no Brasil compartilhem relatos da utilização da rede para gerenciar empresas. A ideia, de acordo com ele, é "mostrar o panorama completo de como o Discord é usado no Brasil".

De acordo com a nota técnica da ANPD, o Discord adotou uma criptografia de ponta-a-ponta pouco antes da entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), o que teria impedido o acesso interno aos conteúdos, incluindo os do Go Live. A empresa, por sua vez, alega que o modelo começou a ser implementado em setembro de 2024.

Há ainda a menção a uma pontuação de risco baixa para o caso apurado na Operação Lívia, o que evidenciaria uma "falha grave do modelo implementado". O Discord alega que o caso, isoladamente, não é capaz de provar uma deficiência no sistema de proteção.

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