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CPI do Crime Organizado

Fachin dá “bronca” ao analisar manobra que levou Gilmar Mendes a beneficiar Maridt

Presidente do STF advertiu sobre distribuição de processos após Habeas Corpus em ação arquivada há três anos.
Presidente do STF advertiu sobre distribuição de processos após Habeas Corpus em ação arquivada há três anos. (Foto: Antonio Augusto/STF)

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, advertiu os ministros e servidores da Corte para a necessidade de justificativa nos casos de distribuição por prevenção (conexão temática). A advertência consta em uma decisão desta segunda-feira (11) que analisou um pedido da CPI do Crime Organizado contra uma manobra processual que levou ao ministro Gilmar Mendes o julgamento de um Habeas Corpus em favor da Maridt Participações, ligada ao ministro Dias Toffoli.

"A fim de evitar que sejam suscitadas eventuais novos questionamentos concernentes à distribuição, na esteira dos procedimentos já estipulados pela Resolução STF 706/2020, explicita-se que doravante as petições protocoladas em processos já arquivados e com baixa na distribuição deverão observar o previsto no § 3º do art. 2º da normativa referida", disse Fachin.

Assinada pelo então presidente Luiz Fux, a norma citada por Fachin estabelece que "o procedimento de distribuição por prevenção, antes de concluído, deverá conter, além da justificativa descrita nos parágrafos anteriores, a validação formal da distribuição pelo Coordenador de Processamento Inicial, pelo Secretário Judiciário e pela Presidência".

A Maridt apresentou uma petição em uma ação da produtora Brasil Paralelo na CPI da Pandemia, em 2021, para pedir a anulação da quebra de seus sigilos bancário, fiscal, telefônico e digital. O processo havia sido arquivado em 2023, mas Gilmar o desarquivou e concedeu a anulação.

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A manobra serviu como motivação para que o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), incluísse o decano no rol dos pedidos de indiciamento. Gilmar reagiu pedindo que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue o parlamentar por abuso de autoridade.

A Maridt entrou na mira da CPI por conta de indícios de ligação com o Banco Master e o fundo Reag, suspeito de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Apesar da advertência, Fachin considerou o encerramento da CPI para declarar a perda de objeto (razão de ser) da petição. Com isso, o processo foi classificado como extinto sem resolução de mérito.

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