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O senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-SP), começou a vestir um colete a prova de balas durante eventos públicos por receio de ser vítima de um atentado semelhante ao vivido pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), durante a campanha eleitoral de 2018. Na época, o político foi esfaqueado durante uma caminhada pelo centro da cidade de Juiz de Fora (MG).
O vídeo foi publicado nas redes sociais de Flávio dias depois de áudios vazados à imprensa revelarem que ele cobrou dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para financiar um filme sobre a trajetória política do pai. Segundo as apurações, havia um contrato de R$ 134 milhões, sendo que R$ 61 milhões foram efetivamente pagos.
“Infelizmente, eu sei do que eles são capazes. Já tentaram fazer com o meu pai, não conseguiram. Não posso dar sopa para o azar”, afirma o senador na gravação. Veja abaixo:
Flávio Bolsonaro afirma que outros trabalhadores utilizam farda ou uniforme e que ele deveria apenas vestir roupas normais, e não um colete a prova de balas. Ao final, ele diz que, apesar do receio de um atentado, seguirá fazendo campanha.
“Não gostaria de sair com isso aqui pra rua, não. Mas, tem que sair. Muito ódio, muito ataque, muita desumanização. Esse pessoal não tem limites para destruir quem se coloca no caminho deles. [...] Estão achando que vão me intimidar? Não vão, não. Estou preparado”, completou.
Apesar da suposta relação de proximidade entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, a mais recente pesquisa Datafolha aponta que as mensagens provocaram um efeito limitado no apoio à sua candidatura à presidência da República.
O Datafolha apurou que 88% dos seus eleitores defendem que ele continue na disputa contra a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 73% dizem continuar confiando nele e 53% consideram correta a decisão de pedir dinheiro ao dono do Banco Master para a produção do filme.
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Impacto na pré-campanha
As conversas entre Flávio e Vorcaro também provocaram reação do PL, levando a uma reunião do senador com a cúpula do partido e a troca do comando da comunicação da pré-campanha com a saída do publicitário e ex-policial civil Marcello Lopes, conhecido como Marcellão. No lugar dele, o publicitário Eduardo Fischer passa a chefiar a equipe.
Marcello afirmou que a decisão partiu dele próprio e declarou que pretende focar na própria empresa. Apesar de sua entrada oficial na campanha estar prevista apenas para 1º de junho, ele já vinha atuando nos bastidores da pré-candidatura nas últimas semanas.
“Marcello Lopes esteve reunido com o pré-candidato Flávio Bolsonaro durante toda a tarde desta quarta-feira (19). No encontro, Lopes comunicou que não poderá mais colaborar na pré-campanha à presidência da República. O publicitário, que é amigo pessoal do parlamentar, decidiu, neste momento, focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar”, afirmou em nota para explicar a saída da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.












