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Entrevista

“Eu fui até o limite”, diz relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira

    • Estadão Conteúdo
    • 15/06/2019 14:16
    O relator na Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira, durante coletiva de imprensa sobre a reforma.
    O relator na Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira, durante coletiva de imprensa sobre a reforma.| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    A nova versão da reforma da Previdência reúne a visão de uma grande maioria no Congresso Nacional sobre o que é possível ser aprovado, disse ao Estadão/Broadcast o relator da proposta, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Ele conta ter abdicado inclusive de convicções próprias em favor da construção de um texto com apoio suficiente das lideranças. "Se existe uma barreira entre o possível e o impossível, eu fui até o limite", afirma. "Não vou impor uma solução e destruir a reforma", avisa. O relator concedeu entrevista antes das declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, criticando o parecer. Procurado novamente após a repercussão da fala do ministro, ele não quis comentar.

    O que ainda pode gerar resistência?

    O relatório representa um conjunto de uma grande maioria. O que dá peso para o relatório é que eu conversei muito com os líderes e deputados que formam a maioria, que são os deputados de centro e de direita. Alguns pontos acabam atendendo ao conjunto todo da Câmara. A articulação do governo é muito pequena. É uma construção para manter a aprovação de uma reforma. O relatório mantém a estrutura central, a idade mínima.

    Alguns pontos foram criticados.

    Tem dois princípios que eu procurei manter desde o início, meta fiscal robusta e justiça social. Eu posso garantir que preservei totalmente a população de baixa renda. Tem um artigo na Constituição que diz o que é baixa renda. É exatamente o valor que eu coloquei no relatório (para o abono salarial, de R$ 1.364,43).

    Críticos viram forte aceno para a camada privilegiada com a nova transição para o servidor.

    Eu mantive a regra para todos. Procurei preservar aqueles do INSS que estavam a dois anos e meio (da aposentadoria), fora do processo de regra de pedágio. Tem um ganho com isso. Eu não tirei nenhuma regra. Eu coloquei uma regra e procurei fazer justiça social. Quero que a proposta passe. Que ela mantenha um equilíbrio do ponto de vista fiscal, para dar uma consistência melhor ao sistema de Previdência. Isso que eu procurei buscar.

    A taxação dos bancos é uma bandeira contra os privilégios?

    Eu não construí nada contra ninguém. Achei que algumas partes podem contribuir um pouco mais. Busquei a meta de R$ 1 trilhão. Não criei uma novidade para os bancos. A taxação existia até 2018 (em 2019 a alíquota caiu de 20% para 15%). Retomei porque percebo que os bancos podem contribuir mais. Eles aumentaram os seus ganhos. Sinto que nesse momento eles podem contribuir. Tudo isso acreditando que o equilíbrio nas contas cria um ambiente melhor e as coisas vão melhorar, inclusive, para eles.

    Qual será a estratégia daqui para a frente?

    Eu vou defender o relatório. Ele está consistente e abrange bem as expectativas. Todo mundo acha que tem que fazer, mas cada um tem a sua reforma. Eu abri mão de várias convicções minhas.

    Quais?

    Abri mão da capitalização, que eu era a favor com alterações no texto. Eu achava que tinha que incluir a contribuição patronal, ter garantia de salário mínimo, mas eu queria autorizar o sistema de capitalização. Mas eu tenho que expressar o conjunto das forças do Parlamento. Outra coisa que abri mão foi de Estados e municípios. Quanta gente do centro estava contra...

    Estados e municípios podem entrar na reforma ainda na comissão especial?

    Depende dos líderes. Não vou impor uma solução e destruir uma reforma da Previdência por conta das minhas convicções. As pessoas não vivem a Câmara, essa pulverização partidária que existe. Construir entendimentos é conversar e procurar construir a maioria, de maneira republicana.

    O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que o sr. chegou ao limite com o parecer.

    Se tem uma barreira entre o possível e o impossível, eu fui até ao limite. Eu fui no que era possível. Vai ficar desse jeito? Não, tem destaque, exclusão, discussão... A capitalização é um processo que nesse momento gerava muita discussão no campo do centro. A esquerda não queria de jeito nenhum. No campo do centro, havia uma divisão enorme porque as coisas não estavam claras. O governo está começando. Nada impede o governo enviar depois o pedido para criar o sistema, para que seja debatido na Casa com mais tempo e com debate mais exclusivo e não contaminado. É um tema que já estava contaminando a tramitação da reforma.

    O relatório fica como está ou ainda haverá negociação?

    Eu tenho direito a um voto complementar. Se eu vou usar ou não depende das contribuições que eu receber dos deputados, dos líderes, do diálogo que vamos ter. A Câmara fez um trabalho extraordinário, a comissão, os debates, as audiências, o presidente da Casa, os líderes da maioria. Os líderes desse grupo da maioria fizeram trabalho importante, a gente consolidou o apoio necessário. E nós construímos esse relatório para criar as condições de avançar.

    7 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
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    Comentários [ 7 ]

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    • M

      Marcelo Martins

      ± 0 minutos

      Foi até o limite , mas deixou a objeta paridade e integralidade dos marajás. è nojento os pobres terem que sustentar va ga bundos!!!

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      • C

        CARLOS RF

        ± 2 dias

        Relator de M.

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        • Z

          Zyss

          ± 2 dias

          Cale a boca seu idi.ota, acha que somos burros.

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          • J

            JOSMAR PORTUGAL VAZ

            ± 2 dias

            O nome do de****do éSamuel Moreira e não Corrêa , como escrevi no meu comentário abaixo. Eu errei porque no meu sub conciente está A palavra correia que fez pensar correadas sem dó no povo brasileiro

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            • A

              Austríaco-PR

              ± 2 dias

              Nenhum privilégio deveria ser mantido, tão pouco novos impostos criados para sustentá-los.

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              • A

                APJr

                ± 2 dias

                Um regime mixto, parte repartição e parte capitalização, tem sido apontado como a melhor solução. Ao funcionalismo público interessa a manuntenção de privilégios, daí tanta dificuldade para aprovar o que precisa ser aprovado. Quem sabe no segundo semestre, voltando ao tema, consigamos dar um jeito nesse balaio da gatos que é o congreso nacional. Espero que já agora, no plenário, se aprove a extensão da reforma para estados e municípios; se não, será o caos !

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                • J

                  JOSMAR PORTUGAL VAZ

                  ± 2 dias

                  Esse relatório da reforma da previdência,feito por este de****do do PSDB, Samuel Correia, foi para cinco anos. Mais uma vez a velha, horrosa , mafiosa e incompetente velha política , adiou o progresso do Brasil . Manteve os previlégios , não acrescentou , no seu texto , os estados municípios. Ou seja : reformou a metade da casa deixando o resto que está praticamente demolido, para depois. Tampou o sol com a peneira. O PSDB é um partido comunista e muito amigo do pt . Não deixou que o mega bandido Luladrão fosse cassado no mensalão. Ê responsável, também, por esta crise que estamos vivendo e que deve durar alguns longos anos. Portanto, relator Samuel Corrêa ,é um belo mafioso.

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