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O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), se emocionou nesta quinta-feira (18) ao ser homenageado por 24 anos de atuação na Corte. Indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ele assumiu o cargo em 20 de junho de 2002.
O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que Gilmar ajudou a moldar a Corte e a Justiça brasileira. “Que esta data permaneça como expressão de gratidão pessoal e institucional por uma trajetória que ajudou moldar a história desta Casa e da jurisdição constitucional brasileira”, disse.
Fachin destacou a “permanente disposição para o debate” do decano. Gilmar disse que, após sua posse como ministro, estimava que ficaria no cargo por 12 anos.
“São 24 anos, quase um quarto de século. Muitas coisas passaram e eu cheguei aqui. Estimava ficar, ministra Cármen [Lúcia], 12 anos, porque era talvez o paradigma de mandato da Corte Constitucional da Alemanha. Agora já são 24. Já são dois mandatos”, disse.
Ele afirmou que ser ministro do Supremo é uma “atividade extremamente desafiadora” e defendeu a ideia de permanência da Corte, destacando que “as instituições são maiores que sua composição”.
Emocionado, o ministro citou uma frase que disse ter ouvido do ex-presidente do Uruguai Julio María Sanguinetti durante um encontro realizado na casa do ex-presidente José Sarney.
"Talvez as suas ações teriam sido mais relevantes pelo que ele tinha evitado que se fizesse do que ele tinha de fato feito", afirmou o decano com a voz embargada, sendo aplaudido pelo plenário.
O ministro Alexandre de Moraes disse que é uma “grande honra” fazer parte do STF com Gilmar, a quem classificou como uma “pessoa competente, íntegra, inteligente e, acima de tudo, corajosa”.
“O ministro Gilmar Mendes, ao longo desses 24 anos, não só moldou essa nova face do Supremo Tribunal Federal, mas fortaleceu o Poder Judiciário”, destacou Moraes.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também homenageou o “amigo de mais de quatro décadas”. Gonet foi sócio de Gilmar no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
“Eu sou grato ao ministro Gilmar Mendes, como deve ser toda a cidadania, pelo tanto que Sua Excelência fez e faz pela democracia”, disse o procurador-geral.
O decano disse ter aconselhado Gonet a aceitar o convite para comandar a Procuradoria-Geral da República (PGR), argumentando que ele teria “tempos tranquilos” pela frente.
“Ele deve achar que seu amigo falhou nos prognósticos”, disse Gilmar, em tom de brincadeira. A gestão de Gonet foi responsável pelas denúncias envolvendo os atos de 8 de janeiro de 2023 e a suposta tentativa de golpe de Estado.







