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O perfil oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva interagiu com o da página Choquei, cujo dono, Raphael Sousa, foi preso na manhã desta quarta-feira (15) em uma operação da Polícia Federal (PF) contra um esquema internacional bilionário de lavagem de dinheiro. A interação de 2021 foi recuperada por internautas após a ação da PF.
Em dezembro daquele ano, o perfil do Choquei agradece ao presidente Lula por tê-lo seguido de volta no X. Lula rebate com o emoji do soco. Só no X, a página Choquei tem 9,4 milhões de seguidores.
Sousa foi preso na operação contra a organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e transações ilegais. A ação prendeu também os funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo. Eles são investigados em um esquema de lavagem de dinheiro através de criptoativos que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão.
A proximidade com o governo é evidenciada através de diversas postagens nas redes sociais, em especial durante a pandemia do vírus Covid-19, na qual a página servia como um “contraponto” a notícias sobre a doença difundidas pelo que a esquerda chamava de “negacionistas da ciência”.
Choquei é da esquerda nas redes
O influenciador preso pela PF é próximo à primeira-dama Rosângela Silva, a Janja. Durante a campanha presidencial de 2022, Janja mandou fotos dos bastidores de um debate para serem publicadas de forma exclusiva pela Choquei.
A primeira-dama costumava interagir com a página nas redes sociais e convidou Sousa para subir no carro de som oficial da equipe de Lula e acompanhar o discurso da vitória do petista após as eleições de 2022.
Em uma entrevista, o criador da Choquei reconheceu que pode ter ajudado a eleger o atual presidente e afirmou que todos os seus colaboradores eram pró-Lula. Mas o trabalho de apoio ao petista, disse o influenciador, tinha mais a ver com o fato de ele ser contra Bolsonaro.
Além das fofocas sobre reality show e subcelebridades, o espaço aberto pela Choquei nas redes sociais foi cada vez mais utilizado para disseminar boatos pró-Lula. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra dos Direitos Humanos na gestão Bolsonaro, foi alvo de algumas dessas postagens.
Em uma delas, que alcançou uma audiência de mais de 2 milhões de seguidores, a Choquei afirmou falsamente que, quando era ministra, Damares teria pedido que Bolsonaro vetasse a entrega de leitos de UTI e de água potável a indígenas.
Veja a nota da defesa de Raphael Sousa à Gazeta do Povo
Nota à imprensa | Caso Choquei
A defesa de Raphael Sousa Oliveira esclarece que seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital.
Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos.
Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada.
A defesa está adotando as medidas cabíveis e demonstrará, no momento oportuno, que sua atuação sempre se deu dentro dos limites da legalidade.
Advogado Pedro Paulo de Medeiros











